sábado, 14 de novembro de 2009

Vento

Rasgo o vento frio da noite com o calor do pensamento que habita todo meu ser imerso na cacofonia disforme da cidade, que teima em não dormir. No caos envolvente encontro o caminho do silêncio que aguardo. Começo a escrever ideias sem direcção definida no desejo convicto de me conferirem as coordenadas geográficas para onde pretendo que divirjam. Calada a ambição do encontro improvável limito-me a repensar alguns pensamentos dispersos em mim enquanto desespero, preenchido por um cansaço que roça a dormência, pelo transporte salvador de regresso a casa após mais um dia de indiferente indiferença. Medito nas consequências de trabalhar praticamente catorze horas de rajada sob o sol do stress incontido. Sinto em mim as queimaduras de tal cinzenta exposição num ardor renovado que me invade o espírito provocando uma deriva de exaustão feita. Tenho de abrandar. Não posso autoflagelar o meu ego impondo excessos desmedidos por falta de responsabilidade a que sou alheio. Raiva. Se não me sentisse tão desgastado por tantas horas consecutivas de em frente ao monitor e cercado por vagas sucessivas de papelada sentiria raiva. Mas o prejuízo em mim instigado conduz-me a uma passividade medíocre e incontida. Bocejo... Condenso num abrir de boca tudo o me leva a ver passar ao lado o que almejo. Sem ideias deixo-me levar pelo fim de mais um dia que já deveria ter terminado. Tento desfazer duvidas que polvilham o absurdo da minha contestação no entanto não elevo mais meu pensamento. Apenas almejo encostar a minha cabeça, fechar os olhos e sonhar com um solstício demasiado presente para ser esquecido.