quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Falta

Faz-me falta o tempo em que o tempo não escorregava pelos ponteiros de uma forma abertamente lenta, carregando em si uma aura sombria. O seu arrastar de amargo travo a estagnação preenche os segundos a um ritmo dissonante com a minha vontade. Na minha vontade de criança desejava que o tempo fosse o mais lento quanto possível, para que na inocência da minha meninice pudesse saborear mais um instante que fosse de brincadeira. Agora, na consciente lógica de adulto ambiciono que o tempo acelere a sua cadencia de forma que consiga regressar o mais rapidamente possível a dormência inconsciente que auguro. No nada que me sobeja do dia a dia, indiferente não me torno as passadas de síncronos pois na indiferença em que vivo, nada mais quero que ultrapassar mais um dia. Ando cansado de me sentir preso entre quatro paredes, medido... marcado... Rotulado... Como se a minha existência fosse um simples código de barras numa mera etiqueta. Preciso de mais. Faz-me falta o respirar. O ver. O sentir para alem do que sinto. Faz-me falta o tempo para ser quem sou.