terça-feira, 27 de outubro de 2009

Fatalidade

Tenho saudades do verão. Do inicio do verão. Do inicio do fim. Do calor. Relembro agora como ambicionava o frio ou ver o céu de cinzento tingido na ânsia de equiparar tudo o que me envolvia (e sufocava) ao meu estado de espírito. O sol, apesar de este Outubro já a muito ter passado da quinzena e roçar já o Novembro, insiste em tomar conta do firmamento, contrariando o meu desejo. Não almejo o locus horrendus próprio de um requiem tenebroso que rasgue o céu de negro enraivecido... Ou tão pouco a negritude funesta de um eclipse solar total.... Insisto apenas no cinzento... Na inexistência de sol. Na luz que toldada pelas nuvens, torna as sombras e os contornos difusos, como se O Todo ganhasse subitamente a consciência de identidade e comungasse em uníssono um estado de espírito cúmplice. Mas na minha constante complexidade sinto a saudade da chuva... De caminhar na praia sentindo a forca dos elementos contra mim. Sentir a frescura de cada gotícula precipitada sobre mim a entranhar-se nos recantos mas tenebrosos do meu espírito, limpando-o... Purificando o meu querer. Não consigo... Não consigo viver ser o antagonismo que me compõe ambiciono coisas opostas... A chuva fria envolta em cinzento e o calor solarengo. Não... Não posso continuar neste caminho desrruptivo... No entanto a atracão pelos opostos antagónicos matem-se viva em mim. A impossibilidade física das coisas cativa a minha atenção. Faz-me sentir vivo. Aguça os meus sentidos e o raciocínio que de lógico neste instante sinto que pouco tem. No entanto continuo a viver entre dois mundos.... A lógica fria e a emoção pura. Ambas em coexistência ora simultânea ora alternada. Evito... Evito ensandecer por ridículo ser esta forma de ser. Tenho de regressar ao ponto de partida... As questões que se colocam e quando onde e como me perdi inicialmente... Na fatalidade mais básica vejo como condenada esta ao insucesso a tarefa a que me proponho pois neste momento tão pouco sei onde estou... Tão pouco reconheço que sou.