Ausente
No interior do silêncio da minha ausência penso num pôr de sol distante de um solstício que na minha memória insisto em não olvidar. Penso no cheiro da praia, no gritar subtil da ondulação, na sensação da areia. Penso. Penso em tudo o que quis dizer e não disse. Penso na tua voz. Penso. Sinto. Tudo tão presente. Sei que não devia. Que simplesmente tudo deveria colocar para trás das costas. Seguir em frente. Qual travão que faz sentir a sua presença magnânima apenas enquanto sua raiva e audível mas que na sua breve existência tudo ilumina e faz tremer. Talvez seja essa a minha sina. A minha felicidade mais não ser que um breve instante intenso vivido a uma velocidade lentamente célere. Tento. Tento não pensar em tudo pensando. Tento não sentir tudo sentindo. Tento em vão subir as escadas dos sonhos quando destinado meu sentir está a manter-se quieto e mudo sentado no primeiro degrau rumo ao Olimpo.


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