Verde Sapo
Sonhei. Sonhei de uma forma que já pensava ter esquecido. Sonhei nas mil e uma cores que só os sonhos conseguem tomar na sua irreal realidade com a minha mãe. Não tinham contornos de pesadelo ou tão pouco roçavam o inimaginável ou surreal. Não foram estranhos ou psicadélicos com cores impossíveis de descrever de tão estranhas ou acometidos de formas disformes decorrentes da natural ausência de travão emocional apenas possível na verdade da dormência do espírito. Sonhei que estava numa das muitas madrugadas de animada partilha de ideias e palavras soltas. Longas horas sem tempo contado que sobre tudo falávamos sem qualquer receio de incompreensão ou de sentir numa critica, por vezes aterradoramente cruel e feroz, uma ofensa ou um ataque aos alicerces do sentido de ser de cada um. Sobre tanto falávamos. Vejo que me disperso na descrição... O meu sonho... O meu sonho girou em torno de novos quadros que a minha mãe teria pintado. Todos eles sem excepção eram preenchidos de varias gradações da tonalidade verde. Apenas verde. Não mais que verde. O branco da cercadura da tela era interrompido, num contraste de verde feito. Eram perceptíveis todas as formas e as ideias que compunham cada pincelada. Mas era tudo verde! Não que na minha ânsia de esperança tenha feito essa colorida associação mas... Mas o motivo penso ser mais simples. Verde sapo! Talvez pareça caricato ou tenha algo de cómico não o tendo. A verdade é que uma das vontades... Para ser absolutamente sincero... desejos era encontrar o tom verde sapo. Várias foram as vezes que juntos partimos em busca deste tom com uma aparência metafisica da busca pelo santo Graal. Palmilhamos quilómetros. Foi uma busca exaustiva e metódica. Infrutífera. No entanto... No entanto penso agora que tenho de retomar esta aventura que não chegou a terminar. Pretendo oferecer-lhe essa cor. Esconde-la-ei onde descansa. Talvez assim consiga eu ter mais sonhos. Talvez o verde sapo seja na sua essência mais pura o verde esperança que foge de mim.


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