sábado, 5 de setembro de 2009

Circulo

Nada mais sinto que promessas de sussurros suspirados em confissões de fim de tarde soltos a um vento invernal que arranca as poucas folhas existentes em meu ser. Resisto a pensar no inevitável. Sinto meu pensamento deflectir para a recusa a ideia de um caminho imposto a nascença. No entanto todos os passos ate hoje por mim dados nos caminhos que escolhi trilhar soam-me redundantes. Como se um perpetuo e imutável circulo matematicamente erguido num π*r elevado ao quadrado onde o raio é o meu ser. Assim sendo tudo são constantes. Atinjo de forma constante meramente o ponto de partida. Nova largada salpicada com o sabor ocre do regresso. Mudo constantemente, em vão, de caminho para acabar exactamente no ponto onde comecei. Todos os meus caminhos vão dar ao desencontro. Apenas mais desiludido e descrente na eventual felicidade que tarda em chegar neste invernal verão de tanto descontentamento. No imaginário onde ouso ser feliz, consigo fugir as sombras sobre minha vivência profetizadas, na consciência da irreal realidade que construo. Ergo os meus sonhos sobre as memorias dos que lhes antecederam. Ergo o meu ser sobre os despojos que sobram de quem sou. Ou vou sendo. Pergunto o porque da complexidade da formula da minha felicidade ser uma sucessiva sucessão de números imaginários e divisões por zero sem solução real ou vislumbre de resposta possível. Meramente imaginaria, mas tão real, e a minha felicidade em mim.