Escrever
Ante Scriptum: Quem não conseguir ler o texto digitalizado no papel (bem sei que a minha letra é horrenda) poderá ler o texto seleccionando o espaço vazio por baixo das digitalizações...

Mato as saudades da escrita real. Já tinha perdido o sabor, o encantamento do deslizar subtil do aparo no papel. A entrega desprendida de duas entidades, de dois seres, com as memórias das suas próprias vivências encontram-se no prazer de um bem comum. Vejo o rasto da sua paixão, no negro colorir de cada traço. A sensualidade existente no arranhar, sem ferir, intenso do iridium na brancura cândida do papel que ama. A dança sincronizada ingenuamente erótica da partilha intima. Os suspiros de prazer que emanam pontualmente a cada traço mais vincado que solto é num instante intensamente sentido. O canto inconstante traduzido numa sinfonia à medida que as letras tomam forma. O secar da tinta. A forma como um traço fino se torna mais espesso no impregnar da sentida paixão da união que julgavam perdida. As sombras remanescentes que surgem ao virar a página quais memórias que largamos nos confins do nosso ser para nunca as encontrar-mos. Notas soltas de um nocturno pensamento iluminado pelo sol. As saudades que tenho de escrever são as saudades que tenho de ti.

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