segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Eclipse



Rasgo com vontade renovada o pano que nega a minha vontade de sentir o eclipse que se esconde em mim. Observo o movimento lento da sombra da minha lua no caminhar decidido para o sol que me ofusca e pretendo que aqueça tudo o que frio em mim está. Em dança síncrona os dois celestes corpos entregam-se um ao outro num frenesim incontido. Sinto a frescura da distância excessivamente próxima entre ambos. Vejo a coroa solar do eclipse intimo de meu ser como a expressão máxima de meu desejo de tanto deixar para trás. De soltar no nevoeiro perpetuo do esquecimento tudo o que me aflige e corroí o ser. Tudo o que possa corromper a minha determinação em atingir o Meu sonho. Perpetuo a imagem... Fixo-a nos olhos da minha mente. Vejo o reflexo do teu olhar. Vejo teu sorriso. Tudo claro se torna... As cores primárias atingem as tonalidades cinza de um fotograma a preto e branco de resolução insustentável nitidez. Sinto que ambos os astros me contemplam, aquecem e simultaneamente sobre mim lançam ventos gélidos. Oiço a minha voz interior... Todos os meus sentidos despertam. Sinto o frio e o calor... O toque... O odor... O som... As cores. O tempo o espaço... Tudo... Tudo se une num único sentimento. Tudo de toma a presença do mistério. Sinto a presença inatingível de uma trovoada ao luar... chuva sem nuvens. Sol sem luz. Noite sem trevas. Pois em mim o eclipse não me permite deixar para trás o que quero... Leva-me a seguir em frente. Conduz-me no desafio de encontrar um caminho de volta a mim.

PS: Elipse vem do grego ekleípō que significa deixar para trás.