domingo, 23 de agosto de 2009

Apatia

Estou apático. Mudo. Enrolo-me no canto do sofá questionando-me o ausente motivo de meu estado. quando tudo em mim é sentir como é possível nada sentir. Esse mesmo nada preenche-me. Afogo o meu espírito em gotículas de nada que nada são. Tento distanciar-me. Saltar de um pulo do meu recanto reconheço ser impossivel. Colado ao azul tecido do profano espaço que ocupa meu casulo. Aparto meu ser de mim na esperança de encontrar junto da bucólica paisagem das searas onduladas pelo vento tardio de verão uma inspiração. Beber nessa imagem o dinamismo que me falta. sinto a sua caência letárgica que divaga sem saber para onde, desconhecendo o seu destino. Nem nesse mar suavemente agitado, doirado pelo astro rei, encontro o entusiasmo que em mim constantemente hoje teima em permanecer... Nem o entusiasmo triste das palavras soturnas que debito, sangrando meu sentimento, no miserabelismo de um estado de alma de desencontro criado, sinto a stamina regeneradora. Estou parado. Parei a minha realidade espaço-temporal. As três dimensões básicas, vagas se tornam. A luz de Chronos desvanece-se. Procuro um relógio que tenha uma marcação audível. Algo.... Tudo que me faça sentir em mim uma cadência, que por muito lenta e insípida o seja. Consigo ver os ponteiros a correr seu curso mecanicamente estabelecido. Mas não sinto o seu movimento. Perco de vista o tempo. Tento um zapping por canais de natureza fútil e consumo imediato. Ocupo a mente tentando analisar se existe algum padrão no voo caótico de uma mosca. À falta de estimulo real, volto-me para o virtual. Escrevo.... Descrevo o que sinto, apavorado pela perda de cada letra que vou lançando nas palavras que julgo desconexas na vã esperança que num todo arrítmico ganhem uma qualquer melodia que isoladas me escapa ao pensamento. Sinto o luto da perda de tempo. Culpabilizo-me pelos segundos perdidos. Aguardo o movimento que parado insiste em manter-se quieto. Penso que este seja um dos dias que tão pouco pensei no pouco que me tornei.