sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Pax

A paz do meu mundo envolto no silêncio imaculado da negra noite, minha confidente, interrompido é pelo lancinante grito do engenho humano. A subtil trégua que na noite se vive neste mundo de onomatopaico existir de caótico engenho que chamamos dia a dia rasgado é pelo som distante do facilitismo que a humanidade, na sua interminável sapiência toma em mãos. Sinto o aproximar das maquinas que a noite limpam, em vão, as cicatriz da cinzenta edificação que chamamos cidade. Minha paz abalada. Meu lago de calmaria onde contemplo meu pensamento agita-se. A turbulência do frenético ruído propaga-se pelo ar ansioso de paz. Tudo torna novamente a sinistra aparência diurna. Sinto a raiva invadir-me. A sacralidade do Meu momento interrompida está pela pagã e criminosa actividade que na rua insiste em manter-se. Confunde-se o ruído da bestial maquinaria com gargalhadas desproporcionadas e comentários impróprios de quem ignora conceitos básicos de civilidade. Não adianta. Perdido nesta noite meu momento está. Disperso-me em futilidades banais e injurias apocalípticas. Os meus sentidos, que anteriormente conspiravam em uníssono, concentram-se no que não querem. Penso. Sinto. As ruas estão limpas mas o meu pensamento foi irremediavelmente perdido.