sábado, 15 de agosto de 2009

Regresso

Rasgo de meu ser as palavras que dizem tudo o que sinto neste instante. Procuro... Procuro reencontrar o eu que larguei anos atrás. Promessa a mim mesmo feita traída num momento que quis me sentir em mim. Pago o preço de uma promessa quebrada. Esqueço o caminho que de nevoeiro cerrado, me ilumina os sonhos. Esqueço. Tento.... Tento em vão esquecer-me. Esquecer o teu sorriso. O teu olhar. Todas as noites que imaginadas em meus braços dormis-te. Esqueço... esqueço a calma. Esqueço a paz d'alma. Devolvo meu ser ao Caos da Vida. Perdido estou nos dois mundos de mim. Obcecado pensas. Depressivo sentes.. Não... Somente tento vislumbrar o que sinto... Seguro em tremulas mãos um aparo... Uma lamina de sentimentos que me cortam o mais intimo que guardo de mim. Hesito... Descrente em minha acção tento uma ultima vez imaginar-te no meu colo. Sorris... Pura... Olhas-me a alma que já não é minha... Pergunto que vês... Apenas o silêncio do teu sorriso que vejo desvanecer defronte de meus olhos toldados pelas brumas da memoria contemplo. No silêncio pesadamente sufocante, perante ti exibo um ultimo sorriso. Levantas-te... Apartas-te do meu caminho... Sem soltar uma palavra. Teu silêncio preenche todo o universo que nos rodeia. Relembro o odor da tua pele impregnada da chuvada de verão onde vi todos os meus sonhos que recondidamente perdidos teimam em se manter vivos. Toco na ponta do aparo de um instrumento de escrita que de iridium mais não é feito. Meu ser transmuta-se numa simples caneta. Vulgar comparação vês. A alva virgindade de uma folha sinto em meu ser qual torniquete que sustenta incontida hemorragia desprendido é. Sinto tudo o que quero evitar sofrer. Largo o negro sangue de emoção pura com desprendimento. cada gota de tinta toma a tonalidade rubra de todos os sonhos perdidos. Emotivo... Demasiado emotivo sentes... Digo que não mais serei eu. Serei a mascara que ousei posar perante ti. Quem sou... quem serei... que serei...Pois sem mascara nada sou... Apenas um sonho adiado que teima no sentir ser sonhado com a mascara nada sou de mim mas serei alguém diferente de mim.

1 Comments:

Blogger Tila Waltz said...

Caro amigo,

Adorei o poema de Sebastião da Gama
que colocaste como comentário para mim, agora já o conheço, li sua biografia e aproveito para postar um para ti. Um grande abraço.

Pequeno poema

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...


Sebastião da Gama

1:16 a.m.  

Enviar um comentário

<< Home