Purificação
Tomo um banho com que procuro limpar o meu corpo de emoções transpirado... Deixo que a água sobre mim caía demoradamente...Tento numa esperança vã que me inunde a alma com sua redentora acção. Esqueço. Esqueço o que quero pensar e lembro o que pretendo esquecer. Apenas quero que o meu ser seja purificado. Sinto que entras no meu banho... Abraças a mim... Beijas meu ombro antes de encostares a tua cabeça. Assim ficamos quietos e mudos a sentir a água cair sobre nós. Levantas teus olhos para os meus... Sinto como o teu ser me inunda de mágica divindade. Sinto a pureza do teu corpo no meu... Imaginação... Apenas e só isso. Nada é real... Mas no meu pensamento consigo sentir a tua pele contra a minha... Os teus braços em torno de mim... O descanso que sentes quando a tua cabeça se aninha em meu ombro... O teu sorriso... Tudo... Tudo é ilusoriamente real... Visto-me. Retiro do armário a máscara que insisto que me acompanhe diariamente. Vejo o pó que sobre ela caiu nestes dias que isento esteve meu ser da sua racional protecção. Olho com alegria... Tantos dias a ser Eu Mesmo. Limpo-a com um cuidado singular... Como se de um objecto valioso se tratasse. Experimento-a. Vejo que continua a assentar em meu rosto como sempre o fez. Contemplo-me. Sorrio. Retiro-a novamente. Vou escrever. Tenho de escrever. Com tua constante presença a meu lado não sinto a necessidade de a envergar. Ostento o sorriso do meu próprio eu. Receio. Receio ser quem sou com quem não sinto que seja merecedor. Mas sinto que me abraças... Sorris... Sorrio... Beijas meu sorriso... Sinto os teus lábios trémulos de felicidade. E nessa altura tudo faz sentido. Eu Faço sentido. Eu sinto ser quem sou. Eu sinto... Eu sou.


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