Irreal?
Afio o aparo da minha caneta o mais que consigo. Em aguçado estilete se torna na minha mão insegura pelas emoções que ostento. Sinto o teu ilusório abraço com que me embalas o ser, fruto dos meus sonhos impossíveis, distante... Friamente Diferente. Vejo o arrependimento em teus olhos pela forma como antes me olhavas, sorrindo, directamente para a minha alma e agora baixas o rosto. Resignado... Resignado por uma ilusão que criei em mim. Resignado pelo sonho que sonhei tantas vezes acordado quieto em teus braços embalado em teu sorriso... Dependente de nesses sonhos me sentir puro. De conseguir sorrir. De voltar a sentir quem sou. De sonhar num sonho. Porque a dependência também tem a magia quando há respeito. Porque é natural sentir dependência de alguém quando gostamos dela. tal é natural o medo do desconhecido... O receio pelo futuro... O não querer sentir a pequenez do nosso ser. O fugir... Memórias. Meras memórias virtuais que nunca existiram mas presentemente reais e verdadeiras foram. Senti... Senti o toque da ponta dos dedos do sentir do teu ser a cada caricia que na minha face fizeste viver. A cada beijo inexistente que trocávamos a luz das velas das emoções que desprendidas deixamos soltar do mais fundo do nosso ser. Senti... Sinto-te a meu lado. Aninhas-te encostada a mim. Fechas os olhos. Penso que sonhas. Vejo-te sorrir mas desconheço agora se esse sorriso e meu. Se o teu sonho e o nosso. Sei que não. Sei que em mim apenas criei uma ilusão de cores e emoções vivas. Irrealmente real. Falsamente verdadeira. Mas... Sempre terei o teu sorriso em mim guardado nas chuvadas de verão... No cheiro da terra pura ainda molhada pelas lágrimas de todos os sonhos perdidos vagueiam na eternidade do meu ser.


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