Vazio

Penso no tempo que nada é e tudo quer ser. Vejo o flutuar o liberto das nuvens perdidas ao sabor de um vento insensível. Promessa de mudança que se quer breve penso. Mato o tempo. Tento não pensar no cravar de cada segundo que passa por mim, em mim. Vejo toda a redundância finita dos meus pensamentos. Palpo minhas limitações. Divago na busca de algo que me faça escrever. Preso me encontro entre a loucura da escrita e a apatia. Apaticamente escolho a apatia com desprendimento de não querer o que quero. Apatia de melancolia feita... Do tudo e do nada em que penso... Onde nada acabo por encontrar. Talvez seja essa a minha conclusão maior. O Nada. O nada em mim habita no tudo que sou. Taciturno pensamento faz-me sentir velho. Disforme... Saturado. Só. Perdi a companhia das palavras. Perdi. Não vislumbro no pensamento que me assiste a fuga desejada a este sentido. Vim à praia. Nem na companhia do meu velho amigo que tudo de mim sabe encontro o caminho. Meu companheiro de tantos pensamentos, de tantas lágrimas que secas na sua presença vertidas foram, nada me diz. Surdo sou a seus sábios conselhos em cada murmúrio de uma onda salvadora. Sou cego ao seu encanto. Mudo, calo os gritos silenciosos que tantas vezes lhe dirigi. Nem o mestre liberto da clausura da escuridão onde o deixo. Perdi as palavras. Perdi o sentir ao meu ser. Apenas uma pequena chama em mim arde consciente de mim.


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