quarta-feira, 19 de agosto de 2009

(I)Mutável

Em tudo penso. Nas palavras, na entoação das palavras, no timbre que em mim as profiro. No significante e no significado. Nos gestos, nas acções. Nos passos que dei apressadamente na ansiosa ansiedade de alcançar O sonho que persigo. Nos que estupidamente recusei dar. Penso no que penso. Sinto o vento da mudança no exterior do meu espírito agitando tudo com a força de uma tempestade tardiamente anunciada. Meu exterior agita-se com a impaciente possibilidade. Penso nas possibilidades que se avizinham se em mim penetrar esse sentir. Olho para trás. vejo as pegadas da vida em minha alma assentes. Estranha impressão. Impressionado fico. Sinto que o altar de mim, que por tras da mascara escondo, profanado foi pelos impuri. Retalhado em mil pedaços... Sujo. Quantas vezes limpei meu ser, na solenidade do luto do sentir do bater seco de um requiem em meu coração, na esperança encontrar novamente o caminho de que me perdi consciente de um fim anunciado. Quantas vezes calei o oráculo da minha consciente racionalidade que me alertava que iria meu sonho terminar em pesadelo... Quantas vezes preferi o divino sentido do sentir pelo sentir na falta de clarividência previdente. Recolhi do fundo do meu ser os fragmentos do papel de que sou feito, amarelecidos pela humidade de lágrimas muitas vezes caladas pelo respeito. Viro-me... conto as incontáveis pegadas. Perco-lhes a matemática contagem. Penso na mediocridade da minha acção... Recuso quantificar. Recuso a razão. Recuso a mudança. Fecho as janelas do meu ser com as sete chaves de um sentir maior. Sinto pela sacralidade do sentir. Sinto por ser Eu Mesmo.