terça-feira, 18 de agosto de 2009

Fuga

Não adianta fugir ao pensamento. Meu pensamento é omnipresente. Omnisciente. Sempre. A fuga a seu jugo é impossível. A ressaca da minha existência traz-me para a realidade obscura do meu espelho. Esqueço os sonhos de sonhos feitos. Tento vislumbrar em mim quantos sonhos dentro de meu ser habitaram. Que todos sobre outros que passados, desmoronados em lágrimas, edificados foram. Todos os meus sonhos assentam uns sobre os outros. Outros lhes seguiram. Mas na perpetuidade de um sentir que me assiste, tento ler qual o meu sonho primordial. A génese. O inicio. O principio de tudo. O ser que me tornou quem sou. Todas as ideias e pensamentos que me atingiram. Talvez para mudar seja essencial regressar ao inicio. Apenas vislumbro resquícios poeirentos esquecidos na memória do sofrimento mas presentes a cada instante numa imensurável partícula de meu sentir. Pergunto ao ecoo dentro de meu ser qual o motivo de ser quem sou. Qual o meu sentido... Qual o sentido sentimento de meu sentir. Ressoa minha questão... Atravessa tudo em mim. Apenas escuto o ressoar subtilmente mais baixo da minha inquirição regressar ao ponto de partida órfã de resposta. Talvez algumas perguntas só tenham verdadeiramente sentido se sem o reflexo da resposta ficarem... Ou talvez seja demasiado surdo para a escutar... Penso... Penso na possibilidade da resposta que procuro seja demasiado complexa... Ou excessivamente simples que minha normal falta de objectividade não a atinja... Tento afastar o fantasma de Eu Mesmo recusar ouvir... Recuso o aceitar o medo da resposta seja a que não quero ouvir. Ou que seja a que sempre quis. Ou... que pura e simplesmente não seja digno de uma resposta... Pois todas as realidades na individualidade do sentir que em mim vive são estanques... Vivem per si imunes umas as outras... E cada uma com a sua resposta que em uníssono em babilónica entropia se tornam... Anulando-se... Castrando-me a possibilidade de reencontrar em mim o fio da meada que me foge.