Requiem
Na solidão do silêncio que no vazio dos meus braços sinto tenho um momento de lúcida clarividência. Compreendo finalmente que a felicidade não a procuramos. A felicidade encontra-nos. Calo o sorriso. entrego-o aos pés do altar do meu ser. Arrumo-o com solenidade missal ao som de Requiem nocturno. A seu lado deposito meu sonho maior. Meu sorriso para sempre estará alinhado com o sonho de ser feliz. Com desprendimento evito olhar para trás. A vida faz-se seguindo em frente. tudo passa. A vida mais não é que um rio... Da nascente até a foz onde nos diluímos na matéria primordial e alimentamos o oceano da nova existência tudo são curvas. Paro. Escuto novamente o Requiem a meu sentir composto... Sinto cada nota como a despedida de um amigo que me acompanhou a eternidade. Evito as lágrimas. Cerro os dentes em desespero de quem a dor lancinante sente de uma amputação a sangue frio. Calo a dor. Mantenho uma réstia de dignidade ao espelho do que resta de mim. Ergo o queixo. endireito as costas toldado pela dor que atravessa de lés a lés meu ser em toda a sua existência. Revisito as marcas de tempos idos... Em meus ouvidos continuo a ouvir o meu requiem


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