domingo, 30 de agosto de 2009

Lacrimae





Observo com imensurável carinho o deslizar de uma lágrima tua que esquecida persistes em guardar em ti qual tesouro demasiado perfeito para ver a luz do dia... Leio cada movimento que perpetuo dura um instante... cada alteração no seu sentir em tua pele. Vejo como o rasto de saudade luminosa tudo mostra ser. Em teu alvo queixo atinge o ponto de não retorno. Pela gravidade acometida simplesmente pinga. Seguro-a na palma da minha mão. Sua simples complexidade sinto. Sinto... Sinto o ardor flamejante de tanto sentir condensado numa única gota de emoção pura teu ser destilado. Vejo o por de sol do solstício de verão que aparentemente distante, presente vive em mim.... Sinto o calor frio da noite na tua presença ao sabor de uma lua tímida que tudo testemunha calada. Sinto os sonhos... As desilusões... Os pensamentos... O sentir. Meus os torno. Conjuro todas as forcas de meu ser no teu bem em segredo. Sacrifico meu pensamento no teu. Tomo tuas desilusões como minhas pois as tuas lágrimas em meu rosto deslizam como reflexo que perdido no tempo insiste em se manter vivo em mim. Tudo calo no silencio que me assiste. Tudo em mim vida se torna em cada suspiro que solto no calor de uma luminosidade que insiste em não se tornar noite. Na escuridão... Na noite cúmplice vestido estou de um Eu Mesmo que insiste em ser quem nada é... Tudo sentindo.... Tudo sendo... Num solesticio que nos une reencontro meu sorriso no teu olhar.