terça-feira, 25 de agosto de 2009

O Caos n'O Caos

Contemplo com consternação o caos reinante n'O Caos da Vida. Inicialmente um mero caderno de capa negra era, onde em cada folha escrevia o que sentia em dado momento. Não escrevia todos os dias. Não tinha um padrão. Não era previsível a vontade de escrever. Escrevia apenas por necessidade de gritar o que em minha alma calava e ainda calo. E apenas quando a necessidade de sangrar a dor se tornava incontida. Nem sempre O Caos da Vida me acompanhava pelo que em folhas dispersas, com que cruzavam meu soltava o que em mim escondia. Posteriormente comecei a tornar publico no homónimo blog. Cada post sucedia-se sempre posteriormente a ter gravado em tinta o que me passava na alma. Tentava esculpir com o aparo da minha caneta a forma do meu pensamento... Este cinzel de iridium feito, no gotejar constante da gravidade rasgava a fria pedra virgem de tudo o que em mim habitava, dava-lhe os contornos que no meu ser não me conseguia aperceber... Consegui sentir a forma, a textura a suavidade da superfície. Por vezes permanecia fria outras tantas quente... No divagar da vontade própria o escopro do sentimento dava-me forma numa ânsia incontrolavel... Conseguia ver-me materializado. Real. No papel tatuava o meu ser na ânsia de uma resposta ou uma luz... Agora... Tudo mudou. A ordem perdeu-se. O método. O real papel e o virtual código binário tornaram-se entidades desconexas... Vivem sobrepostas, paralelas tocando-se pontualmente. Não consigo acompanhar o evoluir de ambos como se um só fossem, apesar de na virtual realidade do meu ser onde verdadeiramente existem o serem. Complementam-se. Troquei as folhas dispersas pelo PDA. Registo directamente na força incontida piscar do cursor. Penso numa trégua. Uma paragem forçada. Tentar escrever o que falta em ambos... Poderia optar pelo facilitismo de uma impressão... Mas não é o mesmo. As palavras têm de ser sentidas na tinta. Tenho de sentir o arranhar do papel... O grito do fluir da tinta. O grito de mim. O manchar com o negro sangue que corre em meu ser. Na tinta de uma vulgar caneta tudo verdadeiramente exorcizo de mim.