Penso...
Afundei o meu ser numa paragem abrupta no raciocínio. Continuo sem respostas para a apatia ontem sentida. O vazio do querer nada querer é sinistro. Confesso que senti medo que tudo em mim tivesse mudado. Acalmo.. Visualizo de onde vem o medo de pensar. O nosso sentir mais primordial. Antes mesmo de qualquer outro sentimento o nosso primeiro sentir não fisiologicamente alicerçado é o medo. Todos os avanços da humanidade em coragem estão erguidos. Em tudo que fazemos existe sempre a magna dúvida de medo sentida. Estarei a fazer bem? Quais as consequências? Tento todos os dias calar essa vergonhosa cobardia. Continuamente questiono em mim todas as questões numa redundância transcendente. Evito pensar no efeito borboleta da decisão tomada. No entanto uma outonal vereda de árvores em mim enraizadas, atravessa meu caminho. Vejo nas folhas caídas o resultado das possíveis consequências das decisões tomadas em emotiva consciência. Levanto a dúvida se não será antes uma racional inconsciência. Na contradição do motivo vislumbro cada vez mais nitidamente a imagem de quem sou no meu pensamento. Cada ramo que se ergue, orgulhosamente trespassando o céu do meu ser, atiça o crepitar da fornalha de tudo o que em mim existe, tudo o que meu ser mais profundo, nas trevas do esquecimento etereamente presente, insiste em sentir. Num crescente quarto minguante vejo o luar do que penso. O saudoso brilho de lua cheia em mim partiu... Tento sentir não sentindo inveja de quem não pensa. De todos os que em temor vivem inconscientes de si. Evitam-se. Não os critico. Compreendo quem assim vive. Nada nos faz recear mais que meditar sobre todos os sentimentos que largamos no esquecimento. Não sei. Sem querer querendo continuo a pisar as folhas do meu caminho sentido no estalar de cada uma os murmúrios de tudo o que perdi de mim. Ressoam demasiado alto para serem ignorados. Pois cada um é um fragmento de um todo que apenas eu conheço de mim.


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