Cinzento
Olho para o céu de nuvens carregado como se a um espelho observasse demoradamente meu pensamento. De múltiplas gradações de cinzento tingidas percorrem despreocupadamente seu caminho numa velocidade variável, tomadas num abraço de um vento que, sem orientação definida, as carrega para onde ele próprio desconhece. Ambos se entregam, sem receios, a uma dança que conhecem a muito. Neste romance típico de uma manha de fim de verão não dizem adeus nem um ate já. Vivem juntos numa harmonia paradisíaca. Recusam qualquer julgamento ou critica. Apenas executam o seu bailado aparentemente invisível, ou sem humana importância, a nossos olhos. Assim cinzentos estou. Aparto as nuvens de meu espírito. Rasgo o azul celeste num clamor pela escuridão que insiste em tardar. Oiço a sua recusa numa desculpa imperfeita de silencio erguida. Fecho os olhos. Tento não pensar pensando em qualquer coisa banal. Cansado estou das nuvens. Cansado me sinto de correr atrás de um sol que cruelmente insensível mantém seu calor apartado de mim. Não mais quero atingir a felicidade. Agora apenas, nos caminhos onde me perdi, procuro encontrar o que resta de mim.


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