Sonhar
Desconheço os motivos que me levam a comparar as nuvens aos sonhos que flutuam constantemente em meu ser. As nuvens são passageiras de um vento que as carrega ao sabor do seu sentir... Dissipam-se... Diluem-se na imensidão do horizonte distante. Meus sonhos permanecem na sua génese, no seu âmago, rigorosamente imutáveis... Estáticos. Seria interessante se a minha imaginação transportada fosse pelo vendaval interior das minhas emoções. Talvez mantivesse a capacidade de sonhar mas todos os dias teria um novo sonho, um renascer de uma vontade. Um desejo que no silêncio mais que perfeito do secretismo saberia ao surgir que estaria condenado a diluir-se na imensidão de todo o esquecimento. Viveria o tempo que lhe concedido era pelo sentir do momento. Nem que por um mero instante excessivamente reduzido para poder atingir o Olimpo do consciente. Após seu fim nada restaria. Nada de cicatrizes no sentir do ser. Nem uma ténue memória subsistiria. O nada apenas como o pilar vital de um novo sonho condenado a morrer na consciência de um outro e assim sucessivamente na eternidade finita da minha alma. Apenas um manter-se-ia vivo. O que me foge. O que na sua cruel faceta insiste em se mostrar a mim para depois se eclipsar no pesadelo que resta em mim.


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