Chuva
Inicia-se um novo dia. Coberto de nuvens sinto a presença da chuva. Sinto-a no equilibro instável de um céu que clama pelo seu cair. Escuto como afirma a sua ânsia de liberdade. Finalmente o peso sentido do céu é descarregado sobre os despojos de um dia anterior passado sem sobressaltos ao sabor de uns pensamentos mais ou menos interessantes embalados no distanciamento etílico que a melancolia me proporciona. O canto da chuva no chão revela uma intimidade comprometedora. A aceitação incondicional da superfície sobre a qual existo ao ser tocada pela singela suavidade de cada gota de variável tamanho é reveladora dos mistérios que me escapam. A sua sentida união preenche totalmente os meus sentidos. O som que cada gota produz multiplicada pela imaginária quantidade que desconheço torna-se numa sinfonia matinal que no silêncio do fim da madrugada torna-se fortemente audível sem ser abafada por qualquer outra forma de entropia. A visão estende-se para lá do possível. Acompanho a descida apressada da celeste agua rumo ao seu desejo. O odor do molhado deixa em mim o sentimento de pureza que esquecido habita na minha memória de tudo o que de belo há em ti. Sonho acordado tudo o que não esqueci em mim.
In Caos da Vida 14-09-2009


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