Calo
Já não tenho palavras para dizer quem sinto em mim. Pois as palavras de pouco me valem... pouco são. No tudo de seu nada ser pouco me resta no sentido de mim. Travo o sumido sorriso, que ainda dentro desta figura que me representa, brilha com uma incandescência de uma brasa coberta de cinza. Sinto-lhe o calor tépido esbatido mas não a cor. Com sabor amargo do contrário sentimento que preenche cada pensamento que não quero ter tendo mais fria cinza sobre minha felicidade deposito na esperança de um dia conseguir apagar este sentir. Exaspero em desespero pelo esperar das palavras que ambiciono dizer e que caladas no esquecimento a que as soltei mantêm-se irredutíveis em mostrar sua omnipresente existência em meu coração. Calo as noites mal dormidas de sonhos acordados em que embalo o meu espírito entre a consciência e dormência das horas que tardias se acumulam no navegar incansável dos ponteiros no oceano interminável do meu tempo finito que vai escorrendo gota a gota. Não mais ouço o grito de pacificadora calma embebido no brilho com que me ilumina. Não mais me sinto em mim.


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