Reflexão...
Voltei a dormir pouco. Esta semana não devo andar a dormir mais que uma media de quatro horas diárias. Apenas adormeço pela obrigação auto imposta pelo meu corpo em descansar. Um autentico desligar. Sinto dores de cabeça que calo constantemente. Não me sinto mal pelo pouco que durmo. Sei que preciso de descanso mas pelo menos assim não me envolvo em pesadelos. Ando a tentar cansar o meu corpo fazendo exercício. Sem sucesso. Tento ocupar a mente lendo livros maçudos, que me obriguem a concentrar. Livros de consumo fácil e escrita medíocre. Policiais. Cheguei a constatação desta ridícula obrigação devido a uma deriva do olhar em torno de um titulo que me instigou a ler as primeiras paginas sem esperança de me aprisionar nas suas palavras. Fui obrigado a parar. Estava a gostar de divagar "Interior da tua ausência". Apenas um indivíduo inconsciente não realiza logicamente a ausência de histórias ou passagens felizes num titulo que transpira desencontro e ilusão. Em que pensava eu? Serei assim tão cego ou não quererei ver. Temo algo sobressaia. Algo sórdido. Sinto como uma atracção misteriosa por tudo o que revela uma ponta de desilusão, mesmo que muito subtil seja. O mais caricato é que sinto uma atracção em simultâneo com uma aversão compulsiva ao tema. Quase um amor ódio em permanente luta sendo ambos constantemente derrotados por si próprios. Divago. Espalho estas palavras sobre a luz ténue do autocarro. Ocupo o tempo. Quarenta e cinco minutos a escrever algo que não querendo sinto querer escrever. Calar em mim não o posso fazer. Mais aliviado me sinto. Oiço, com a persistência da gotas preguiçosas que caiem de uma goteira imaginaria de forma incessante, uma voz em mim que me diz calma... Apenas calma. "tens de ter calma" como se uma voz de um eu adormecido que acorda de sobressalto perante os alarmes que latejam num coro que ecoa em cavernoso silêncio no meu espírito. Sinto o desligar dos meus sentidos a aproximar-se perigosamente. Já sinto dormência. Paulatinamente tudo começa a ficar turvo como que humedecido por um diluvio torrencial que subitamente se abate sobre uma vidraça. Meras barras de luz branca começo a discernir sobre a imagem que se encontra de fronte de meus olhos. Ainda tenho de chegar a casa. Ainda. Sinto uma espécie de pulsar a ritmo próprio. Desconcertante esta luta em mim.


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