terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tela

Resumo as palavras no fim de mais um verão que vejo pintado de cinzenta invernia. Não mais que um quadro grosseiramente pintado sem rigor nem perspectiva numa completa ausência de método mas preenchido por milhares de traços profundamente sentidos. Seca a tinta na tela do sentir da minha vida tacteio com suavidade sequiosa as texturas das memórias que não consigo esquecer que impregnadas em mim palpitam constantemente. Sinto a frieza outonal que se aproxima como uma esperança de dias de calor solarengo de sensações recheados. Não quero para de sonhar mas começo a acreditar que não sonhando talvez encontre paz. Viver o dia a dia de forma insepientemente insípida, vogando ao sabor do que encontro tornando-me um mero recolector em vez de um pensador. Sem projectos imediatos. Sem tentar perspectivar o futuro ou tão pouco buscar nas palavras satisfação. Nada voltará a ser o que era. O tudo sempre será como sempre foi. Espero regressar à tela do meu ser com outras cores para pintar o que sinto em mim.