Credulidade
Em determinados momentos penso se não será ridícula a minha frustração... Se não toma o contorno de um missal toda a raiva ou desilusão que insisto em descrever, como se acima da mediocridade me encontrasse, ou tudo criticável fosse. Não deixo de rever mentalmente minhas culpas. Não deixo de sentir culpa por persistir em acreditar na incrédula condição humana que me rodeia. Penso na forma imatura e incrivelmente pouco perspicaz como a minha credulidade assume contornos aberrantes a cada decisão que tomo. Disforme e anedótico. Assim posso descrever. Se por um lado, ao abrigo de uma certeza inquestionável não acredito nas palavras que ouço por outro abro o flanco. Poucas são as pessoas em que acredito e são essas exactamente, salvo raras excepções que, rasgando a armadura com que protejo meu ser, ao abrigo de uma conivente cumplicidade minha, tudo arrasam. Neste dilema divago. Se as pessoas em que confio são as que mais devo desconfiar... Será isso que me escapa? Ou será isso que não quero ver? Ou será que continuamente viverei cego pelas ilusões reflectidas nas miragens dos sonhos que em mim habitam? Que posso fazer? Ensurdecer deliberadamente? Não permitir-me baixar a guardar? Não retirar a mascara? Não sentir? Não ser? Não viver? Talvez peque por um extremismo irracional o caminho tomado por minha divagação... Talvez na minha culpa deva começar a aceitar as pessoas como elas são e não como gostaria que fossem. Talvez... Talvez eu tenha de ser quem não sou.


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