segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Chuva

Acordo para mais um dia na lembrança de ter adormecido ao som da chuva que batia forte nas janelas. Relembro como senti um desejo súbito de sair a rua sem qualquer casaco e deixar-me envolver na por cada gota que se precipitava decididamente. Não que cobardia tenha falado mais alto mas no conforto artificialmente tépido que sentia fui acometido um comodismo intenso. Tinha o desejo de me afundar... De me diluir na chuva dispersa batida por rajadas de vento erráticas e inconstantes. Queria... Queria a redenção reencontrar na pureza frágil do contacto de uma lágrima do céu com a superfície de meu ser numa tentativa, apesar de conscientemente impossível, que pelo menos uma dessas gotas penetrasse meu espírito e apagasse o fogo a fornalha da minha memoria... Mantive-me quieto. Mudo. Com as luzes apagadas tentei separar o som que cada gota fazia, separando-a das demais pela singularidade da sua sonoridade. Assim mantive minha atenção desperta entre a consciência e a dormência que já se fazia sentir. Na escuridão da noite já ida a sinfonia que me foi dada entranha-se em mim elevando-me na no breu envolvente. Assim adormeci.