segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Precipitação

Percorro as ruas pintadas de folhas caídas ao sabor do outono que já se assume inverno remetido ao meu silencio. Escuto os ecos dos passos que interrompem os gritos que no meu interior se fazem ouvir qual restício da minha resiliência em deixar de sonhar. Sinto meu ser evaporar-se no frio húmido que se faz escutar no uivar sustenido do vento matinal. Vejo as partículas vaporosas do meu ser escaparem-se na perseguição dos seus desejos incontidos. Diluo-me sem hesitação no ar que amaldiçoo com vontade renovada por não perder a consciência do desencontro que me aflige. Elevo meu ser ao ponto de o todo que todos buscamos, sem sucesso, existir em mim qual memoria universal de todos os que falharam na felicidade. Aglutinado a gotículas de chuva precipito-me sobre a terra refrescando-a de esperança luminescente. Abro os olhos ao som de um ruído mecânico continuo. Acabou o sonho... Bem vindo a realidade que pouco me diz.