sábado, 5 de dezembro de 2009

Transformação



Encontro na tinta com que escrevo um paralelismo exacerbadamente claro com a negra chuva que vejo cair em meu ser. A minha escrita é pintada usando o fluir do negrume do meu pesaroso pensamento. Ahh... Como bom seria mudar sem mais. Sem esforço. Sem vontade de o fazer. Sem querer querendo. Possuir um disjuntor ou outro qualquer manipulo que ao mais leve toque de ideias menos felizes promovesse imediatamente um estado modificado de consciência. Os tudos da vida migrarem por mistério para um nada inconsequente. A aspereza do dia a dia tomar subitamente o encanto suave do odor da chuva inesperada. A prosa de invernal descrição transmutar-se num bucólico verão embalado pelo canto das cigarras sob o sol estival. A noite voltar a ser portadora de encantos plenos de mistério irradiados na poética luminosidade por ela oferecida. A mentira ser eclipsada pela verdade dos murmúrios sapientes do mar que neste presente vejo fugir mim.