Vácuo
Desperto do mundo de cores onde a minha realidade toma vida com uma sensação de vazio. Sinto uma espécie de vácuo no meu interior que ameaça colapsar os pilares e as paredes mestras do meu espírito, arrasando-o ate as fundações inexistentes do meu eu. Calo uma lágrima matinal que ameaça despontar com pensamentos reconhecidamente improváveis. Não suporto o silêncio que sinto dentro de mim, pois pontualmente apenas escuto "Dies Irae Dies illa" falta-me o tom doce de Orfeu nas minhas palavras. Sem as asas dos sonhos resta-me implorar a Hades que me devolva a alegria perdida no seu sub mundo ou a Hipnos que me dê o sono em que a magia de Morpheu se faz sentir. Mas... Mas não tenho a possibilidade de pagar a Caronte pela minha viagem... E tão pouco os deuses do sono e dos sonhos escutam os meus lamentos... Meus lamentos... Minhas preces jogadas são por terra com um desprezo aviltante. Vivo... Sobrevivo no meu silencio interior, buscando na praia os sons que me acalmem o ego, na esperança vã que ecoem nos passos perdidos do meu ser desprovido de conteúdo. Tento... Tento encontrar a stamina que me falta, sem sucesso, olhando para tudo o que me rodeia aguardando a possibilidade de tingir com a cor branca do brilho da luz a escuridão que habita meu peito. Calo meu silencio num suspiro profundo. Coloco a máscara. Sorrio. Está tudo bem. Apenas no vazio da solidão que no nosso ser sentimos é possivel a cada um de nós encontrar o que verdadeiramente é importante. Por Breves momentos de paz volto a ser quem não sou.


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