terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vicio


 
Continuo a escrever. Mantenho esta necessidade. Já se assemelha a um vicio. Escrevo para mim o que não voltarei a ler jamais. Tenho plena consciência que me repito constantemente. Não... Não falo sobre ti... Pelo respeito que te tenho omito as palavras que esvoaçam livres no meu espírito... Mas posso dizer-te que quando não escrevo sinto-me incompleto. Como se já fizesse parte integrante do meu dia... A minha heroína... A minha droga... Vivo viciado em palavras... Sinto mesmo que fica a faltar qualquer coisa. Não queria tornar o caos da vida num diário mas por vezes começo a achar que se tornou em algo que já só serve para desenhar as lágrimas que não solto em cada letra. Mas não leio. E o que mais me intriga e a pouca vontade que nutro em ler seja o que for tirando alguns textos de Kendo que devoro não numa abordagem pratica mas somente filosófica. Tao pouco encontro identidade nas palavras que leio sobre o tema. Mas parece-me interessante que o Kendo, o caminho da espada, numa designação tão bélica se assuma como indissociável de um espírito digno. Sinto alguma frustração para com a minha apatia literária em relação ao Mestre que tantas horas de identidade me fez encontrar. Quantas vezes reli as as cartas que eram escritas... Quantas... Quantas vezes senti a invasão da mediocridade em minha alma por não conseguir atingir a beleza que lhe via. Como me pareço afastar do caos da vida... Já não sei qual o caminho que lhe tomo... Tao pouco o que com ele fazer... Vivo interrogado... Vivo... Sonhei outro dia que tinha arremessado o verdadeiro caos da vida com toda a minha para o mar... Sonhei em como senti uma satisfação enorme em fazê-lo mas... Mas lembro-me de ter sonhado com um arrependimento que me aterrorizou... Vi-me dentro de agua em pleno inverno em busca os caos... Para me deparar com um caderno onde as palavras tinham sido consumidas... Pouco mais restava que meros borrões a testemunhar o que senti ao longo de mais de três anos... Senti como tivesse traído todas as memórias... Tudo o que guardo me mais puro e sagrado... Como se tivesse deliberadamente morto parte de mim. Assassino. Penso... Não sei que fazer. Sinto-me tomado pontualmente por uma vontade súbita de obliterar o caos. Como se fosse nele que encontrasse a raiz mais profunda aos demónios que me atormentam... Como se enquanto eu não os exorcize a minha vida ira manter-se estagnada no marasmo em que se encontra. Mas... Temo o arrependimento... Temo a dor da perda. Temo matar parte de mim. Que fazer então? Não posso viver na etérea ansiedade de coexistir na encruzilhada do medo com o desejo. Insustentável vive em mim a crença de ser destruído se destruir o Caos da Vida que me destrói.