segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Palavras

De que me servem as palavras? Para quê conjugar verbos se me parecem dotados de uma frieza deslumbrante? Usar substantivos que nada mais me parecem que relativos e despidos? Ou elevar o sentido com adjectivos que na realidade subestimam meu sentir? Meras formas inconsequentes de revelar o que sinto e o que penso. Descrever os meus estados de alma. Resumido nas palavras sem esperança em que navego no alternar das marés dos dias sem o sabor das cores com que ambiciono pintar a tela da vida. Vejo esquecidos os pigmentos na perda de cor que vivi ao longo da vida sobejando apenas o negro para desenhar o que pretendo. Na palidez obscura do negrume denso que lhe assiste tracejo sem jeito os contornos difusos de tantas palavras que vincadamente sentidas vergam meu espírito, testemunhado na ausência de brilho no meu olhar. Tudo me interessa e nada me prende... Penso nessas palavras do Mestre no definhar de mais um dia que anseio acabar em breve. Arrasto-me pelos eternos segundos que não parecem terminar. Ocupo o meu pensamento com trabalho. Assumo mil e uma funções e obrigações para ocupar o tempo. Faz-me falta o sorriso... Faz-me falta o riso... Faz-me falta o tempo em que julgava que ia realizar os meus sonhos... Pelo menos enganado era feliz na ilusão da mentira de nada ter e tudo de bom em meu ser julgava ir encontrar. Vejo agora os reflexos dos sonhos perdidos na escuridão que me envolve em cada dia que desperto... Idos os sonhos apenas me resta o limbo da esperança vã que mantenho no destino que se prostra diante de mim sem o meu sorriso de criança...