Escolha
Cansado. Mais um dia difícil. Mais. Um. Quantos mais se avizinham na sua sucessiva ciclicidade imperturbável, não deixo de questionar. Questiono também o que merece a pena. O ignorar o evidente. O não viver o presente. Insistir na fantasia. Persistir no erro da imaginação. Sobreviver de sonhos. Gritos do meu querer silencioso. Porque não olvido? Porque sou diferente? Alguém me disse que tinha um dom... Penso que sou amaldiçoado com um dom.... Beneficio real não me traz. Nada de bom me concede. Nada. O que resta no fim do dia? O que me sobeja é o que me destroi. Corrói o ser. Consome as energias. O tempo. O espaço. O pensamento. Ambiciono o céu quando nem ao inferno tenho direito. Vivo no limbo dos tempos perdidos de todos os que vivem esquecidos. Esquecido não estou das promessas que a mim próprio me fiz. Que fazemos nós pela felicidade? Tudo. Eu... Eu não... Eu não faço tudo... Faço muito pior... Pela felicidade minto a mim próprio, ignoro a realidade, não encaro os factos, mantenho lutas que já perdidas há muito, alimentam sonhos que sei não me estarem destinados... Em vez de lutar contra a corrente talvez seja melhor deixar-me levar... Seguir o meu caminho com as velas do meu ser erguidas ao sabor do vento do meu destino. Desconheço o que será pior perante a bifurcação que se depara no meu caminho. Mentir-me insistindo em sonhos ou mentir-me negando-os... Ajoelhar-me e admitir a derrota? Ser cobarde? Ou continuar a lutar, numa coragem inglória de derrota em derrota? Viver numa gaiola esquecido da felicidade? Ou sentir o saber que se esconde no vento. Em qualquer dos casos, plagiando alguém... O que restará de mim?
PS: Se vivo de sonhos a minha escolha está decidida.


1 Comments:
:'( Triste mas... Genial.
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