Ondas
Acorrentado à vontade de partir alegremente opressora despeço-me de mais uma ideia resiliente em mim com a satisfeita insatisfação de não querer segui-la. Cruzo a cinzenta réstia de humana civilidade em betão impressa envolta em neblina castradora das formas a um velocidade pendular. Apresso a chegada com uma nova partida. A eterna fuga rumo a algo que não existe torna compelida a escrita. Reescrevo o que ainda receio não ter escrito reconhecendo que nunca o irei fazer. Procuro a honestidade fria na subtil diferença da contradição. Com aprumo ou na ausência dele limito-me a escrever sem notar quais as palavras que atingem a aurora de uma nova frase. Não lendo o que assumo questiono-me da contextualidade ou falta dela. Mudo. Vejo o mar revolto com assombrosa satisfação. Sorrio. Adoro a força rebelde e sincera do mar que sem barreiras expressa a sua raiva de forma gutural, explosiva... Tento imaginar o odor da maresia libertada. Tento... Tento sentir as gotículas libertadas em cada onda que morre clara de consciência tranquila do seu dever maior cumprido com dedicada entrega à areia. Assim vejo as palavras do meu pensamento, pontualmente rudes mas delicadas e sinceras a mim.


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