Cegueira II
Aparto-me da turbe irrequieta. O féretro de quem outrora foi alguém dorme envolto no desrespeitoso ruído truculento. Isolo-me e tento prestar uma homenagem solene conferindo-lhe o dom da minha mudez. Penso nas memórias que foram esquecidas quando a última resiliência de humana vida foi exalada, tombando por terra todos os sonhos não concretizados. A chuva precipita-se grossa e violenta. Bafejando tudo e todos com a dádiva da lembrança fria da mortalidade. Lembra-me a simplicidade agreste de quem nunca estudou. De quem mal sabe escrever as letras do nome mas que pela verticalidade elementar eleva-se acima de tantos ditos doutores portadores de tantos saberes. Escolástico deficit ultrapassado pela bondade. Quão cegos somos. Eu... Todos...


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