Daykara
Vim numa fuga imprevisível ao Alentejo. Relembro rapidamente todos os sons, cores e odores de umas raízes que não sendo minhas considero como tal. A origem da grande mudança em meu ser foi aqui. Longe do ruído disrruptivo e castrante. Pecado. Vejo diluir o pensamento no apregoar distante que viola a serenidade que busco. Corroída a sacralidade do que ambiciono apenas atingir o conceito ímpio do meu ser que subsiste no vento que entoa uma melodia já ouvida em tempos. Assumo palavras que não sendo minhas me fazem sentir privado de resposta. Rarefeito. Desfeito. Sufocado. Iluminado. Quem és tu Daykara? Anjo caído ou demónio erguido? As duas faces de uma mesma lua? A ancora da ilusão luminosa dos sonhos antagónica a uma realidade dogmática que tudo torna transparente? Em ti não li palavras. Li sorrisos... Li risos... li lágrimas.. Li a dor... Li a mágoa... A raiva... Li... Sentimentos... Emoções.. Puras! Vivas! Sentidas! Amarelecidas! Gritos no silêncio de uma solidão de alma. Sem qualquer travão ou receio. Sem o medo do julgamento. Com todos os nadas que tudo fazem soar como libertador. Tacteei as formas e as arestas dos contornos da palavra Verdade. Fiquei boquiaberto com tanto que absorvi. Remeti-me ao silêncio mudo gritando em mim a justiça ausente da enormidade de um sentir imaculado. Profundo... Luminoso... Sombrio... Sorrio. Sorrio tão somente por ver desenhadas as emoções, que constantemente procuro pintar, nas palavras dos outros. Não escrevo sobre o que os outros pintam. Cada um tem na sua paleta os tons com que vai exercendo o seu direito em sentir o seu ser. Abro uma excepção apenas... por ver em ti tantas cores de mim. Obrigado Daykara!


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