sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Monólogos

Desenvolvo monólogos improváveis com o cinzento. Os dez milhões de cores possíveis de serem captadas na minha retina vivem em jogos de sombras de todas as possíveis combinações. Vivências erguidas sobre múltiplas variação de lua cheia a lua nova. Condenado a viver entre um quarto crescente e um quarto minguante não resisto a evidencia da regularidade assustadora com que as fases saltam de uma para a outra bruscamente sem que as pontes intermédias sejam obedecidas. Incumprida a cadência natural das coisas neste universo de mim. Mutação... desobediente... Cronica... Constante... Instável... Imprevisível... Previsível somente o mudar de tudo o que pretendo que permaneça quedo. Queda... Abrupta... Imediata... Concentra suas intenções num único instante... Aguarda que baixe a guarda. Que sinta o sentindo ao que sinto... Para exibir seu sorriso de escárnio perante o meu de felicidade... Vejo como cada gota de chuva que do alto da insatisfeita nebulosidade sobre mim se precipita carregando a verdade simples da sua persistente existência. O seu impacto em mim revela-se purificante. Uma purga para o meu espírito irrequieto. Alivia-me as emoções errantes. Danço com ela um tango pleno de sedução. Comprometidos na entrega total, enfrentamos abertamente os desencontros que fomos vivendo pela vida fora sem o receio do julgamento. Nosso romance dura o instante marcado do embate anunciado com expectativa. Romance... Amor... Paixão... Sintetizada numa fracção de segundo sem tempo definido. Busco amparo ao espírito ilusório perdido no imaginário das memorias reais. Procuro conforto onde sei que ele não esta presente. Mutilo o bem estar com frio ou uma posição incomoda promovendo dessa forma o desconforto premeditado, mesmo correndo o risco limite de passar por discípulo de Leopold Von Masoch. Agrada-me a falta de posição. A incapacidade de mover. O  fluir estagnado de uma ideia que não me abandona. Insaciável, consome-me sem perdão ou agradecimento. Merecimento de demérito consumado. Feito... Precocemente tardio pensamento que tarda em amanhecer no firmamento do meu ideal. Arrasto... Corro... Paro... Sonho pesadelos de alegria triste. Sorrio. Folheio livros que nunca ei-de abrir em busca de algo de que ainda não sei... O sabor do odor das folhas brancas salpicadas pelo veneno negro da tinta. Elixir. Cura. Panaceia. Droga. No milagre pagão ciclicamente ocorrido na implosão inspirada do ser observo a metamorfose das palavras que soltas agora, derivam em torno do nada que tentam mascarar como tudo. Lobo mascarado de cordeiro? Ou cordeiro de lobo mascarado? Meus textos fogem ao romantismo hipócrita. Fogem ao estabelecido como normal. Fogem de mim as palavras que os fazem. Tao simples... Tao complexo... Uma simples fuga de palavras de ideias complexas. Quantas vezes penso se não existem em equilíbrio instável, no limiar entre a racionalidade e a insanidade profunda... Quantos conceitos fui erradicando do meu léxico que neste momento sobra-me tudo o que falta em mim.