Números
O que quero? Que pretendo? Que me espera? Terei eu uma dimensão para alem da numérica. Terei? Serei? Serei mais que uma garantia de que a partida os indicadores ou os objectivos são atingidos? Começo a achar-me um fiel depositário dos números. Somente. Sem vontade ou querer. A evidencia das capacidades e competências resumidas na gratidão falsa da palmadinha das costas do "fizemos um bom trabalho!", quando na realidade Eu fiz um bom trabalho. Olho para números. Imponho a vontade dos outros através da "pressão alta" positiva constante, intercalada com pontuais acessos de ira. Atinjo números. Leio números. Antecipo números. Penso em números. Associando de forma simplista e minimizante a lógica de Descartes sou um numero. Confirma-se assim quem sou. Um numero. Bestial por atingir tudo o que me exigem com mérito e distinção. Temo a terminologia besta pela possibilidade de falhar, facto este tornado real, quase palpável por tudo me ser solicitado. Todos me reconhecem competências e a capacidade de com pouco atingir muito. Maximizar resultados minimizando necessidades. Tomo os objectivos como algo de pessoal. Intimo. Desafio pessoal que estabeleço comigo mesmo, mais que com ou outros ou com algo. Tento analisar de forma calculista todas as variáveis que de uma forma negativa podem ter impacto na meta a que me remeto, revejo todas as situações, recrio mentalmente todos os cenários, penso em estratégias, alternativas. Para quê? Para a cegueira numérica triunfar? Para que cada vez mais o factor humano seja retirado da equação? Para mais palmadinhas? Para me ver como realmente sou? Para não ser reconhecido na mescla padronizada das casa decimais? Para aceitar a cobardia submissa de algarismos que nada mais dizem que o valor a eles associado por outros. Para nada. Para o nada de mim nada dizer do tudo o que deixei de ver em mim.


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