Forçada
Encontro uma analogia rara entre as estradas enlutadas de trânsito e o meu pensamento ao fim de tarde de mais uma semana devorada por obrigações laborais. Sem fuga possível tudo afunila num mesmo ponto, esbarrando na indiferença subtil de um congestionamento de odor a cansaço. As palavras não fluem com a clarividência habitualmente perene. Sinto-as lentas... Como se seguissem uma trajectória em camera lenta... Vistas frame a frame... Com a transição entre cada uma a roçar a eternidade finita da paciência. O stress acumulado de uma semana começa agora a libertar-se lentamente... Sendo apenas possível medi-lo com uma ampulheta que conta granulo a granulo o tempo impaciente em seguir a sua viagem para sempre inacabada. Agarro todas as hipóteses convicto que não me sobram forcas. O temor assume o seu rosto... Este texto corre o risco de se tornar a teimosa última folha de uma árvore, amarelada pela invernia, que insiste, contra tudo, manter a árvore de nudez incompleta. Não sei se este texto tem um fim... Tao pouco me lembro do inicio. Sem saber o inicio desconhecendo o fim, este texto, numa rima forçada lembra o ser que guardo em mim.


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