terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Solesticio seis meses depois

Esqueço o tribalismo pagão dos ritos diários que me são impostos à mesma velocidade com que presigo as inexistentes sombras claras dos passos perdidos dos meus pensamentos dispersos na opacidade da noite escura. Acelero a cadência sem ritmo das passadas que lanço com desembaraço sentindo o deslizar subtil na calcário ainda molhado da calçada. Voo sem destino numa rota errática de encontro às nuvens. Abrigado no vendaval do meu destino pressinto cada colisão de cada gota de chuva por mais ínfima que seja desejando que esse instante se perpetue. Não evito. Já passaram seis meses... Já se arrastou uma eternidade que o meu ser continua a sentir presente. Demasiado presente. Excessivamente distante... Qual sonho que sabemos que sonhamos mas não nos lembramos na alvorada, como se tivesse evaporado perante a luz do sol, sobrando uma mera sensação que algo de real existiu algures no tempo e no espaço. Algo... Tudo... Afinal... Nada... Persigo sombras esquecidas que perdidas na minha memória esvoaçam quais fantasmas sem destino sim. Mas... Porque me atormentam constantemente. Porque me foi permitido sonhar? Porquê?... Apenas isso... Demasiado perto mas sempre longe... Sinto-me como ícaro a quem foram dadas asas e permitido voar rumo as sonhos que mais intimamente perseguia e quando perto do meu sol tudo se desfez acabando por cair no pesadelo do nada que me sobeja. Foi... Fui... E agora que nada sou? Sem sonhos... Sem mim... Sem ti...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vicio


 
Continuo a escrever. Mantenho esta necessidade. Já se assemelha a um vicio. Escrevo para mim o que não voltarei a ler jamais. Tenho plena consciência que me repito constantemente. Não... Não falo sobre ti... Pelo respeito que te tenho omito as palavras que esvoaçam livres no meu espírito... Mas posso dizer-te que quando não escrevo sinto-me incompleto. Como se já fizesse parte integrante do meu dia... A minha heroína... A minha droga... Vivo viciado em palavras... Sinto mesmo que fica a faltar qualquer coisa. Não queria tornar o caos da vida num diário mas por vezes começo a achar que se tornou em algo que já só serve para desenhar as lágrimas que não solto em cada letra. Mas não leio. E o que mais me intriga e a pouca vontade que nutro em ler seja o que for tirando alguns textos de Kendo que devoro não numa abordagem pratica mas somente filosófica. Tao pouco encontro identidade nas palavras que leio sobre o tema. Mas parece-me interessante que o Kendo, o caminho da espada, numa designação tão bélica se assuma como indissociável de um espírito digno. Sinto alguma frustração para com a minha apatia literária em relação ao Mestre que tantas horas de identidade me fez encontrar. Quantas vezes reli as as cartas que eram escritas... Quantas... Quantas vezes senti a invasão da mediocridade em minha alma por não conseguir atingir a beleza que lhe via. Como me pareço afastar do caos da vida... Já não sei qual o caminho que lhe tomo... Tao pouco o que com ele fazer... Vivo interrogado... Vivo... Sonhei outro dia que tinha arremessado o verdadeiro caos da vida com toda a minha para o mar... Sonhei em como senti uma satisfação enorme em fazê-lo mas... Mas lembro-me de ter sonhado com um arrependimento que me aterrorizou... Vi-me dentro de agua em pleno inverno em busca os caos... Para me deparar com um caderno onde as palavras tinham sido consumidas... Pouco mais restava que meros borrões a testemunhar o que senti ao longo de mais de três anos... Senti como tivesse traído todas as memórias... Tudo o que guardo me mais puro e sagrado... Como se tivesse deliberadamente morto parte de mim. Assassino. Penso... Não sei que fazer. Sinto-me tomado pontualmente por uma vontade súbita de obliterar o caos. Como se fosse nele que encontrasse a raiz mais profunda aos demónios que me atormentam... Como se enquanto eu não os exorcize a minha vida ira manter-se estagnada no marasmo em que se encontra. Mas... Temo o arrependimento... Temo a dor da perda. Temo matar parte de mim. Que fazer então? Não posso viver na etérea ansiedade de coexistir na encruzilhada do medo com o desejo. Insustentável vive em mim a crença de ser destruído se destruir o Caos da Vida que me destrói.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Palavras

De que me servem as palavras? Para quê conjugar verbos se me parecem dotados de uma frieza deslumbrante? Usar substantivos que nada mais me parecem que relativos e despidos? Ou elevar o sentido com adjectivos que na realidade subestimam meu sentir? Meras formas inconsequentes de revelar o que sinto e o que penso. Descrever os meus estados de alma. Resumido nas palavras sem esperança em que navego no alternar das marés dos dias sem o sabor das cores com que ambiciono pintar a tela da vida. Vejo esquecidos os pigmentos na perda de cor que vivi ao longo da vida sobejando apenas o negro para desenhar o que pretendo. Na palidez obscura do negrume denso que lhe assiste tracejo sem jeito os contornos difusos de tantas palavras que vincadamente sentidas vergam meu espírito, testemunhado na ausência de brilho no meu olhar. Tudo me interessa e nada me prende... Penso nessas palavras do Mestre no definhar de mais um dia que anseio acabar em breve. Arrasto-me pelos eternos segundos que não parecem terminar. Ocupo o meu pensamento com trabalho. Assumo mil e uma funções e obrigações para ocupar o tempo. Faz-me falta o sorriso... Faz-me falta o riso... Faz-me falta o tempo em que julgava que ia realizar os meus sonhos... Pelo menos enganado era feliz na ilusão da mentira de nada ter e tudo de bom em meu ser julgava ir encontrar. Vejo agora os reflexos dos sonhos perdidos na escuridão que me envolve em cada dia que desperto... Idos os sonhos apenas me resta o limbo da esperança vã que mantenho no destino que se prostra diante de mim sem o meu sorriso de criança...

Precipitação

Percorro as ruas pintadas de folhas caídas ao sabor do outono que já se assume inverno remetido ao meu silencio. Escuto os ecos dos passos que interrompem os gritos que no meu interior se fazem ouvir qual restício da minha resiliência em deixar de sonhar. Sinto meu ser evaporar-se no frio húmido que se faz escutar no uivar sustenido do vento matinal. Vejo as partículas vaporosas do meu ser escaparem-se na perseguição dos seus desejos incontidos. Diluo-me sem hesitação no ar que amaldiçoo com vontade renovada por não perder a consciência do desencontro que me aflige. Elevo meu ser ao ponto de o todo que todos buscamos, sem sucesso, existir em mim qual memoria universal de todos os que falharam na felicidade. Aglutinado a gotículas de chuva precipito-me sobre a terra refrescando-a de esperança luminescente. Abro os olhos ao som de um ruído mecânico continuo. Acabou o sonho... Bem vindo a realidade que pouco me diz.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Vácuo

Desperto do mundo de cores onde a minha realidade toma vida com uma sensação de vazio. Sinto uma espécie de vácuo no meu interior que ameaça colapsar os pilares e as paredes mestras do meu espírito, arrasando-o ate as fundações inexistentes do meu eu. Calo uma lágrima matinal que ameaça despontar com pensamentos reconhecidamente improváveis. Não suporto o silêncio que sinto dentro de mim, pois pontualmente apenas escuto "Dies Irae Dies illa" falta-me o tom doce de Orfeu nas minhas palavras. Sem as asas dos sonhos resta-me implorar a Hades que me devolva a alegria perdida no seu sub mundo ou a Hipnos que me dê o sono em que a magia de Morpheu se faz sentir. Mas... Mas não tenho a possibilidade de pagar a Caronte pela minha viagem... E tão pouco os deuses do sono e dos sonhos escutam os meus lamentos... Meus lamentos... Minhas preces jogadas são por terra com um desprezo aviltante. Vivo... Sobrevivo no meu silencio interior, buscando na praia os sons que me acalmem o ego, na esperança vã que ecoem nos passos perdidos do meu ser desprovido de conteúdo. Tento... Tento encontrar a stamina que me falta, sem sucesso, olhando para tudo o que me rodeia aguardando a possibilidade de tingir com a cor branca do brilho da luz a escuridão que habita meu peito. Calo meu silencio num suspiro profundo. Coloco a máscara. Sorrio. Está tudo bem. Apenas no vazio da solidão que no nosso ser sentimos é possivel a cada um de nós encontrar o que verdadeiramente é importante. Por Breves momentos de paz volto a ser quem não sou.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Transformação



Encontro na tinta com que escrevo um paralelismo exacerbadamente claro com a negra chuva que vejo cair em meu ser. A minha escrita é pintada usando o fluir do negrume do meu pesaroso pensamento. Ahh... Como bom seria mudar sem mais. Sem esforço. Sem vontade de o fazer. Sem querer querendo. Possuir um disjuntor ou outro qualquer manipulo que ao mais leve toque de ideias menos felizes promovesse imediatamente um estado modificado de consciência. Os tudos da vida migrarem por mistério para um nada inconsequente. A aspereza do dia a dia tomar subitamente o encanto suave do odor da chuva inesperada. A prosa de invernal descrição transmutar-se num bucólico verão embalado pelo canto das cigarras sob o sol estival. A noite voltar a ser portadora de encantos plenos de mistério irradiados na poética luminosidade por ela oferecida. A mentira ser eclipsada pela verdade dos murmúrios sapientes do mar que neste presente vejo fugir mim.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Acabar

Início o meu dia com uma pergunta que numa crueldade inquisitória sinto zumbir incessantemente ao meu redor qual espectro da indefinida definição de mim. Quando tudo acaba? No fim... No inicio... Nas perguntas que não obtenho resposta... Nas respostas ao que não questionei... No silêncio... No ruído que assombra os meus dias... Nos sonhos que me foram recusados... Nos risos desprovidos de verdade da másacra que exibo contemplados no reflexo emitido pelo espelho da minha alma imaterialmente densa na opacidade de um querer ser feliz... Nas páginas amarelecidas das memórias guardadas com carinho que registo n'O Caos Da Vida que eventualmente se desintegrará cedido a verdade última da existência passageira. Nas memórias que não consigo afugentar... Num pôr de sol que se mantêm em mim numa ferida que não cicatriza... Não... No início do fim ou no fim de um início tudo me toma o sabor de algo já vivido. Como se um constante deja vu iluminasse o caminho da minha esperança. Indivisível de um querer que me esgota as vitais forças com que esbracejo continuamente no interminável oceano da infelicidade dos sonhos que teimam em não ser esquecidos apesar de reconhecer a sua improvável e irreal existência. Em cada gole de desencontro que ingiro a contra gosto, sinto o sabor ocre da imposição de um fado que toca desafinado de forma omnipresente no meu ser numa desgarrada melodia sensorialmente iconográfica plena de premeditação cruel. Tento cortar as cordas às guitarras estridentes... Tento calar a voz aguda que geme irritante as palavras do meu destino. Tento apagar as luzes do palco em que sobrevivo em silêncio. Insisto...Persisto. Arrasto-me no irreal. Consumo-me no imaginário... Acredito no impossível. Acredito. Até quando? Até ao fim.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Futuro Passado

Desenho no presente palavras de um futuro já passado sentindo a metálica ponta do aparo embebida no peso sentido da nostalgia ainda por vivência. Acordo como meu ser enregelado por um inverno que a minha pessoa já sente tardar em tornar-se verão. Sol. Felizmente o sol acordou meu descanso que assumo mal cumprindo materializado num bocejo tardio que a cafeína já tomada não evita, iluminando meu acordar de uma luminosidade redentora. Assumo também o fervilhar de sonhos que me conduziram a uma noite inquieta de descontentamento preenchida. Pesarosamente vou pintando de forma hesitante a candura rugosa da tela que se prostra, à minha frente numa aceitação passivamente ansiosa pelo meu contacto prosaico de dúvidas promissor. Alegro Molto oiço to tocar ténue enquanto escrevo sentindo a contradição da musica com as palavras que teimam em fluir lentamente para meu desencanto. Suspiro por um Requiem soturno de negra raiva condensado numa condenação intemporal... Revejo o futuro já passado no presente emergente que escrevo por me parecer o que não vivi o que já vivenciei qual o menu que se repete num restaurante. Contradigo Chronos tomando seus dogmáticos cornos fisicamente criados sob a forma de ponteiros num repassar de folhas já riscadas sem nexo ou conexão. Vejo como o meu Caos se tornou ele próprio num caos apenas assumindo ordem geométrica no meu pensamento. A teoria do caos aplica-se ao meu Caos penso. Perdi o fio condutor concluo sorridente. Assíncrono, limito-me a escrever o que penso num dado momento sem complexos ou ideias ou ideologias preconceituosas preconcebidas. Sem receio receando . Sem ordem ordeiramente . Sem ideias... Não... Talvez com todas as que insistem em coexistir no espaço infinito do meu espirito... Todas as ideias desenhadas a traços grosseiros com um pedaço de carvão do meu pensamento assumindo mil cores indefinidas e sensorialmente invisíveis a quem na sua cegueira insiste em ver apenas a realidade em que habita, vivendo na negação constante, remetendo os seus sonhos para os campos estéreis do esquecimento. Dies Irae virão... Nesses dias do fim... No último flash back que tudo nos diz, nesse instante condensado de vida, não deixo de temer por quem não ousou viver tomado pelo medo medíocre de sonhar.

Dies Irae

Dies Irae


Dies iræ! dies illa
Solvet sæclum in favilla
Teste David cum Sibylla!


Quantus tremor est futurus,
quando judex est venturus,
cuncta stricte discussurus!


Tuba mirum spargens sonum
per sepulchra regionum,
coget omnes ante thronum.


Mors stupebit et natura,
cum resurget creatura,
judicanti responsura.


Liber scriptus proferetur,
in quo totum continetur,
unde mundus judicetur.


Judex ergo cum sedebit,
quidquid latet apparebit:
nil inultum remanebit.


Quid sum miser tunc dicturus?
Quem patronum rogaturus,
cum vix justus sit securus?


Rex tremendæ majestatis,
qui salvandos salvas gratis,
salva me, fons pietatis.


Recordare, Jesu pie,
quod sum causa tuæ viæ:
ne me perdas illa die.


Quærens me, sedisti lassus:
redemisti Crucem passus:
tantus labor non sit cassus.


Juste judex ultionis,
donum fac remissionis
ante diem rationis.


Ingemisco, tamquam reus:
culpa rubet vultus meus:
supplicanti parce, Deus.


Qui Mariam absolvisti,
et latronem exaudisti,
mihi quoque spem dedisti.


Preces meæ non sunt dignæ:
sed tu bonus fac benigne,
ne perenni cremer igne.


Inter oves locum præsta,
et ab hædis me sequestra,
statuens in parte dextra.


Confutatis maledictis,
flammis acribus addictis:
voca me cum benedictis.


Oro supplex et acclinis,
cor contritum quasi cinis:
gere curam mei finis.


Lacrimosa dies illa,
qua resurget ex favilla
judicandus homo reus.


Huic ergo parce, Deus:
Pie Jesu Domine,
dona eis requiem. Amen.


Tradução - Para visualizar a tradução seleccione o espaço abaixo.

Dies Irae

Dia da Ira, aquele dia
Em que os séculos se desfarão em cinzas,
Testemunham David e Sibila!


Quanto terror é futuro,
quando o Juiz vier,
para julgar a todos irrestritamente !


A trombeta, espalha o poderoso som
pela região dos sepulcros,
convocando todos ao Trono.


A morte e a natureza se aterrorizam,
ao ressurgir a criatura,
para responder ao Juiz.


o Livro escrito aparecerá,
em que tudo há,
em que o mundo será julgado.


Quando o Juiz se assentar,
o oculto se revelará,
nada haverá sem castigo !


Que direi eu, pobre miserável ?
A que Paráclito rogarei,
quando só justos estão seguros ?


Rei, tremenda Majestade,
que ao salvar, salva pela Graça,
salva-me, fonte Piedosa.


Lembre-se, piedoso Jesus,
que sou a causa de tua Via;
não me perca nesse dia.


Resgatando-me, sentiste fadiga,
me redimiste sofrendo a Cruz,
Tanto trabalho que não seja em vão.


Juiz Justo da Vingança Divina,
Dá-me a remissão dos meus pecados,
antes do dia Final.


Clamo, como condenado,
a culpa enrubesce meu semblante
suplico a Ti, ó Deus


Ao que perdoou a Madalena,
e ouviu à súplica do ladrão,
Dá-me também esperança.


Minha oração é indigna,
mas, pela sua Bondade atuas,
Não deixe-me perecer incinerado no Fogo Eterno.


Coloque-me com as ovelhas
Separe-me dos cabritos,
Ponha-me em sua Destra


Condena os malditos,
lance-os nas chamas famintas,
Chama-me aos benditos.


Oro-te, rogo a Ti de joelhos,
com o coração contrito em cinzas,
cuide do meu fim.


Lacrimoso aquele dia,
no qual, das cinzas ressurgirá,
para ser julgado o homem réu.


Perdoe-os, Senhor Deus
Piedoso Senhor Jesus,
Dá-lhes descanso, Amém!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Insanidade?

Falham-me todas as palavras mas resumo meu sentir na insatisfação de não sentir a universalidade ontem sentida. Pasmado numa estagnação iconográfica projectada sobre a realidade que habito nas variadas questões de dispares entoações que ecoam meu pensamento num frenesim que me consome. Voltar-me-ei a sentir assim? Voltarei a sentir a harmonia total? Estarei agora a tornar-me místico? Que senti? Que aconteceu? Não consigo descrever com exactidão o que ontem preencheu meu ser com o rigor que pretendo. Faltam aos dicionários conhecidos as palavras que traduzem correctamente emoções abstractas. Algumas sensações não nasceram para ser descritas ou explicadas a luz de um qualquer conceito físico químico matemático ou neurológico penso para comigo numa tentativa desesperada de justificar esta incapacidade súbita. Um estado alterado de consciência talvez. Um subproduto de um estado de ansiedade pontual. Mas... Não deixo de sentir no interior de mim um assombro com aura sinistra que disfarço na alegria que em mim esteve contida. Todos os meus sentidos me indicavam que me dilui (este o termo que melhor descreve o que passei) num todo. Como se cada simples partícula do meu ser se tivesse unido em comunhão com o todo que me envolvia e do qual eu fazia parte. Como... Como se não houvesse mar... nem terra... nem céu... Nem eu próprio... Como se cada uma das partes que presentes estavam se tivessem unido numa única entidade num paralelismo assíncrono com q realidade... Perfeitamente harmoniosa... Sem limites físicos ou definições. Melancólico certamente estou no meio de tantas questões para as quais, na minha racionalidade não encontro uma resposta concreta. Sufoco com raiva sentida a incapacidade aparente de não ser portador da sapiência necessária para responder a questões tão simples. Ando a ler alguns conceitos sobre Kendo... E Bushido... E sinceramente penso estar a ser influenciado... Não sei... Nada sei... Divago.. Apenas posso dizer que aconteceu... Que foi real... Que foi extremamente intenso. Como se fora do meu corpo estivesse... Como... Como se conseguisse ver com os olhos do universo. Como... Como se tivesse conhecido a face oculta da realidade a que estamos programados para reconhecer e interpretar. Gostava que tivesse continuado. Tal como gostava que houvesse uma explicação. Algo de palpável. Algo a que me pudesse agarrar para poder encontrar todos os motivos que me fogem. Será um principio de insanidade? Depressão? Mudança? Consciência? Mutação? Nada... Sem respostas resta remeter-me ao silêncio e aguardar pelo próximo amanhecer que poderá nunca se repetir.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Feitiço


Acordei muito cedo nem cinco da manhã seriam, no conforto cálido da cama senti-me perturbado... Irrequieto... Sufocado... Convulso... Atormentado... Como se algo me perseguisse para lá da inimaginável realidade. Dou comigo a caminho da praia ainda imerso na escuridão sombria desenhada a traços grosseiros às mãos do Inverno. Deixo-me guiar pelo chamamento incontrolável de uma ansiedade incontornável. Fico quieto na escuridão sem esboçar qualquer ténue forma de movimento por mais subtil que seja. Assisti ao nascer do sol pintado sobre a tela de um céu nublado em tons pesados de cinzento profundo, rouco quase gutural. Durante o raiar fiquei siderado com o reflexo que a luz emergente lançou sobre o mar com contornos similares a um feitiço sem nome que se encontra perdido nas últimas paginas, jamais lidas, de livros poeirentos. A questão... A grande questão... O reflexo que sobre mim incidiu transportou consigo o feitiço. Nesse momento único, senti que eu o mar o vento a areia tudo... Tudo era uma única entidade, indivisível... universal Senti-me abraçado... Diluído... Quente.... Sereno... Como se algo... superior tivesse atingido... Alegria... Calma... confiança... Senti tudo. Não sei quanto tempo assim fiquei entregue a esta sensação. Mas quando sai da praia e fechei a porta do carro, tenho a certeza de muito ter mudado em mim. Senti como disse o Mestre Tenho em mim todos os sonhos do mundo... E digo-o com o sorriso de quem sonhou os sonhos que esqueceu.