quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Verde Sapo

Sonhei. Sonhei de uma forma que já pensava ter esquecido. Sonhei nas mil e uma cores que só os sonhos conseguem tomar na sua irreal realidade com a minha mãe. Não tinham contornos de pesadelo ou tão pouco roçavam o inimaginável ou surreal. Não foram estranhos ou psicadélicos com cores impossíveis de descrever de tão estranhas ou acometidos de formas disformes decorrentes da natural ausência de travão emocional apenas possível na verdade da dormência do espírito. Sonhei que estava numa das muitas madrugadas de animada partilha de ideias e palavras soltas. Longas horas sem tempo contado que sobre tudo falávamos sem qualquer receio de incompreensão ou de sentir numa critica, por vezes aterradoramente cruel e feroz, uma ofensa ou um ataque aos alicerces do sentido de ser de cada um. Sobre tanto falávamos. Vejo que me disperso na descrição... O meu sonho... O meu sonho girou em torno de novos quadros que a minha mãe teria pintado. Todos eles sem excepção eram preenchidos de varias gradações da tonalidade verde. Apenas verde. Não mais que verde. O branco da cercadura da tela era interrompido, num contraste de verde feito. Eram perceptíveis todas as formas e as ideias que compunham cada pincelada. Mas era tudo verde! Não que na minha ânsia de esperança tenha feito essa colorida associação mas... Mas o motivo penso ser mais simples. Verde sapo! Talvez pareça caricato ou tenha algo de cómico não o tendo. A verdade é que uma das vontades... Para ser absolutamente sincero... desejos era encontrar o tom verde sapo. Várias foram as vezes que juntos partimos em busca deste tom com uma aparência metafisica da busca pelo santo Graal. Palmilhamos quilómetros. Foi uma busca exaustiva e metódica. Infrutífera. No entanto... No entanto penso agora que tenho de retomar esta aventura que não chegou a terminar. Pretendo oferecer-lhe essa cor. Esconde-la-ei onde descansa. Talvez assim consiga eu ter mais sonhos. Talvez o verde sapo seja na sua essência mais pura o verde esperança que foge de mim.

Esperança

Penso que a palavra esperança foi deixada à porta do meu ser. Consigo ver sua presença. Sinto sua proximidade mas mais que isso não me é permitido ter. Negado a mim está de a esperança fazer parte do meu vocabulário. Termo proibido. Censurado. Talvez por isso que a felicidade mais não seja que uma tremula vela que em vão tento manter acesa, protegendo sua luz ténue com ambas as mãos da minha vontade em realiza-la. Admiro com hipnótica admiração o calor de uma suavidade divina que emana, envolvendo-me, aquecendo minha alma do frio que se mantém em torno de mim. Embalo meu pensamento no crepitar sincero que insiste, de desencontro em desencontro, fazer ouvir o seu rugido, meramente quantificável no silêncio que me rodeia, qual presença indelével de todos os instantes que da memória não quero que se apartem. Com as palavras desenho a esperança que tenho dentro de mim.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Recordações

Li num livro que chega uma altura na vida que todos nos vivemos de recordações. Sobrevivemos das migalhas que resistem e se perpetuam. Memorias. Eu que esquece-las. Quero lançar para os confins do esquecimento qualquer réstia das recordações que vivem em mim. Estou saturado de viver perseguido pelas memorias de tudo o que senti ao longo da minha vivência. Tudo quero olvidar. Tanto os bons como os maus momentos. Não mais quero rememorizar o que vive em mim.

Reflexão...

Voltei a dormir pouco. Esta semana não devo andar a dormir mais que uma media de quatro horas diárias. Apenas adormeço pela obrigação auto imposta pelo meu corpo em descansar. Um autentico desligar. Sinto dores de cabeça que calo constantemente. Não me sinto mal pelo pouco que durmo. Sei que preciso de descanso mas pelo menos assim não me envolvo em pesadelos. Ando a tentar cansar o meu corpo fazendo exercício. Sem sucesso. Tento ocupar a mente lendo livros maçudos, que me obriguem a concentrar. Livros de consumo fácil e escrita medíocre. Policiais. Cheguei a constatação desta ridícula obrigação devido a uma deriva do olhar em torno de um titulo que me instigou a ler as primeiras paginas sem esperança de me aprisionar nas suas palavras. Fui obrigado a parar. Estava a gostar de divagar "Interior da tua ausência". Apenas um indivíduo inconsciente não realiza logicamente a ausência de histórias ou passagens felizes num titulo que transpira desencontro e ilusão. Em que pensava eu? Serei assim tão cego ou não quererei ver. Temo algo sobressaia. Algo sórdido. Sinto como uma atracção misteriosa por tudo o que revela uma ponta de desilusão, mesmo que muito subtil seja. O mais caricato é que sinto uma atracção em simultâneo com uma aversão compulsiva ao tema. Quase um amor ódio em permanente luta sendo ambos constantemente derrotados por si próprios. Divago. Espalho estas palavras sobre a luz ténue do autocarro. Ocupo o tempo. Quarenta e cinco minutos a escrever algo que não querendo sinto querer escrever. Calar em mim não o posso fazer. Mais aliviado me sinto. Oiço, com a persistência da gotas preguiçosas que caiem de uma goteira imaginaria de forma incessante, uma voz em mim que me diz calma... Apenas calma. "tens de ter calma" como se uma voz de um eu adormecido que acorda de sobressalto perante os alarmes que latejam num coro que ecoa em cavernoso silêncio no meu espírito. Sinto o desligar dos meus sentidos a aproximar-se perigosamente. Já sinto dormência. Paulatinamente tudo começa a ficar turvo como que humedecido por um diluvio torrencial que subitamente se abate sobre uma vidraça. Meras barras de luz branca começo a discernir sobre a imagem que se encontra de fronte de meus olhos. Ainda tenho de chegar a casa. Ainda. Sinto uma espécie de pulsar a ritmo próprio. Desconcertante esta luta em mim.

Tela

Resumo as palavras no fim de mais um verão que vejo pintado de cinzenta invernia. Não mais que um quadro grosseiramente pintado sem rigor nem perspectiva numa completa ausência de método mas preenchido por milhares de traços profundamente sentidos. Seca a tinta na tela do sentir da minha vida tacteio com suavidade sequiosa as texturas das memórias que não consigo esquecer que impregnadas em mim palpitam constantemente. Sinto a frieza outonal que se aproxima como uma esperança de dias de calor solarengo de sensações recheados. Não quero para de sonhar mas começo a acreditar que não sonhando talvez encontre paz. Viver o dia a dia de forma insepientemente insípida, vogando ao sabor do que encontro tornando-me um mero recolector em vez de um pensador. Sem projectos imediatos. Sem tentar perspectivar o futuro ou tão pouco buscar nas palavras satisfação. Nada voltará a ser o que era. O tudo sempre será como sempre foi. Espero regressar à tela do meu ser com outras cores para pintar o que sinto em mim.

domingo, 27 de setembro de 2009

Será o Fim?...

Será o fim?... Não sei. Sinto que perdi o engenho (e a arte), a rima (e a magia). Perdi o sentido às palavras. Perdi o caminho da redenção no traço de cada letra que desenhei. Agradam-me agora as brumas matinais, sentindo paz nos mistérios que se encontram emersos nas névoas. A frescura húmida que molha a minha pele transcende os meus sentidos... No entanto mesmo a coberto do nevoeiro sinto que não escrevo da mesma forma... Evitando cair na mediocridade prefiro colocar um fim ao Caos da Vida, que ver as minhas palavras agonizarem-se num rumo sem sentido. Nada será igual... No entanto... Sinto uma nostalgia que me grita em surdina carregada de sentido ódio perante este final e que me pede para continuar... Que me pede para não calar o que penso... Que não pouse a caneta ou tão parta o aparo aos meus sonhos... Não sei... Quero não querendo... Talvez não seja o fim.

sábado, 26 de setembro de 2009

FIM

Perdido no universo dos meus pensamentos. Crio um mundo onde vivo que realmente. Tudo em mim em pensamentos real se torna por irrealmente inatingível ser. Ao nada cheguei. No abismo do silêncio que me rodeia que na sua intensidade, o caos circundante se esbate fruto de um nada em que me tornei. Procura minha alma na imensidão das palavras que no mesmo ser em que nada me tornei o sentido de ser do meu ser. Canso em vão os sentidos para que em minha alma as palavras perdidas regressem. Para que sinta novamente a minha voz. Na minha cegueira interior rememoriso todas as palavras. Inconcebível aventura a que me proponho. Se nunca reli o que escrevi... Se não lendo, os sentimentos não esqueci... As imagens em mim vivas estão em cada fragmento de verdadeira Humanidade. Mas... Mas... Mas o meu eterno "mas" que me oprime o espírito insiste em falar. Mas como tudo poderia ser diferente. Agora... Nada sei que sentir por tudo em mim disperso se encontrar no Caos da Vida que assim termina.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sonhar

Desconheço os motivos que me levam a comparar as nuvens aos sonhos que flutuam constantemente em meu ser. As nuvens são passageiras de um vento que as carrega ao sabor do seu sentir... Dissipam-se... Diluem-se na imensidão do horizonte distante. Meus sonhos permanecem na sua génese, no seu âmago, rigorosamente imutáveis... Estáticos. Seria interessante se a minha imaginação transportada fosse pelo vendaval interior das minhas emoções. Talvez mantivesse a capacidade de sonhar mas todos os dias teria um novo sonho, um renascer de uma vontade. Um desejo que no silêncio mais que perfeito do secretismo saberia ao surgir que estaria condenado a diluir-se na imensidão de todo o esquecimento. Viveria o tempo que lhe concedido era pelo sentir do momento. Nem que por um mero instante excessivamente reduzido para poder atingir o Olimpo do consciente. Após seu fim nada restaria. Nada de cicatrizes no sentir do ser. Nem uma ténue memória subsistiria. O nada apenas como o pilar vital de um novo sonho condenado a morrer na consciência de um outro e assim sucessivamente na eternidade finita da minha alma. Apenas um manter-se-ia vivo. O que me foge. O que na sua cruel faceta insiste em se mostrar a mim para depois se eclipsar no pesadelo que resta em mim.

Chuva

Inicia-se um novo dia. Coberto de nuvens sinto a presença da chuva. Sinto-a no equilibro instável de um céu que clama pelo seu cair. Escuto como afirma a sua ânsia de liberdade. Finalmente o peso sentido do céu é descarregado sobre os despojos de um dia anterior passado sem sobressaltos ao sabor de uns pensamentos mais ou menos interessantes embalados no distanciamento etílico que a melancolia me proporciona. O canto da chuva no chão revela uma intimidade comprometedora. A aceitação incondicional da superfície sobre a qual existo ao ser tocada pela singela suavidade de cada gota de variável tamanho é reveladora dos mistérios que me escapam. A sua sentida união preenche totalmente os meus sentidos. O som que cada gota produz multiplicada pela imaginária quantidade que desconheço torna-se numa sinfonia matinal que no silêncio do fim da madrugada torna-se fortemente audível sem ser abafada por qualquer outra forma de entropia. A visão estende-se para lá do possível. Acompanho a descida apressada da celeste agua rumo ao seu desejo. O odor do molhado deixa em mim o sentimento de pureza que esquecido habita na minha memória de tudo o que de belo há em ti. Sonho acordado tudo o que não esqueci em mim.

In Caos da Vida 14-09-2009

domingo, 6 de setembro de 2009

Calo

Já não tenho palavras para dizer quem sinto em mim. Pois as palavras de pouco me valem... pouco são. No tudo de seu nada ser pouco me resta no sentido de mim. Travo o sumido sorriso, que ainda dentro desta figura que me representa, brilha com uma incandescência de uma brasa coberta de cinza. Sinto-lhe o calor tépido esbatido mas não a cor. Com sabor amargo do contrário sentimento que preenche cada pensamento que não quero ter tendo mais fria cinza sobre minha felicidade deposito na esperança de um dia conseguir apagar este sentir. Exaspero em desespero pelo esperar das palavras que ambiciono dizer e que caladas no esquecimento a que as soltei mantêm-se irredutíveis em mostrar sua omnipresente existência em meu coração. Calo as noites mal dormidas de sonhos acordados em que embalo o meu espírito entre a consciência e dormência das horas que tardias se acumulam no navegar incansável dos ponteiros no oceano interminável do meu tempo finito que vai escorrendo gota a gota. Não mais ouço o grito de pacificadora calma embebido no brilho com que me ilumina. Não mais me sinto em mim.

sábado, 5 de setembro de 2009

Circulo

Nada mais sinto que promessas de sussurros suspirados em confissões de fim de tarde soltos a um vento invernal que arranca as poucas folhas existentes em meu ser. Resisto a pensar no inevitável. Sinto meu pensamento deflectir para a recusa a ideia de um caminho imposto a nascença. No entanto todos os passos ate hoje por mim dados nos caminhos que escolhi trilhar soam-me redundantes. Como se um perpetuo e imutável circulo matematicamente erguido num π*r elevado ao quadrado onde o raio é o meu ser. Assim sendo tudo são constantes. Atinjo de forma constante meramente o ponto de partida. Nova largada salpicada com o sabor ocre do regresso. Mudo constantemente, em vão, de caminho para acabar exactamente no ponto onde comecei. Todos os meus caminhos vão dar ao desencontro. Apenas mais desiludido e descrente na eventual felicidade que tarda em chegar neste invernal verão de tanto descontentamento. No imaginário onde ouso ser feliz, consigo fugir as sombras sobre minha vivência profetizadas, na consciência da irreal realidade que construo. Ergo os meus sonhos sobre as memorias dos que lhes antecederam. Ergo o meu ser sobre os despojos que sobram de quem sou. Ou vou sendo. Pergunto o porque da complexidade da formula da minha felicidade ser uma sucessiva sucessão de números imaginários e divisões por zero sem solução real ou vislumbre de resposta possível. Meramente imaginaria, mas tão real, e a minha felicidade em mim.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cinzento

Olho para o céu de nuvens carregado como se a um espelho observasse demoradamente meu pensamento. De múltiplas gradações de cinzento tingidas percorrem despreocupadamente seu caminho numa velocidade variável, tomadas num abraço de um vento que, sem orientação definida, as carrega para onde ele próprio desconhece. Ambos se entregam, sem receios, a uma dança que conhecem a muito. Neste romance típico de uma manha de fim de verão não dizem adeus nem um ate já. Vivem juntos numa harmonia paradisíaca. Recusam qualquer julgamento ou critica. Apenas executam o seu bailado aparentemente invisível, ou sem humana importância, a nossos olhos. Assim cinzentos estou. Aparto as nuvens de meu espírito. Rasgo o azul celeste num clamor pela escuridão que insiste em tardar. Oiço a sua recusa numa desculpa imperfeita de silencio erguida. Fecho os olhos. Tento não pensar pensando em qualquer coisa banal. Cansado estou das nuvens. Cansado me sinto de correr atrás de um sol que cruelmente insensível mantém seu calor apartado de mim. Não mais quero atingir a felicidade. Agora apenas, nos caminhos onde me perdi, procuro encontrar o que resta de mim.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sombra

Olho a minha sombra projectada na parede... no chão... por toda a parte. Apenas a minha sombra vejo. Mil raios de luz negra rejeito de mim. Sou meramente o reflexo escuro de quem sou realmente, iluminado por um sol que insiste em não brilhar sobre mim com a mesma intensidade. Apartado do calor da luz salvadora carrego em mim a luz incandescente dos pensamentos do tanto que já fiz... do que não consegui... do que já sonhei... do que ainda sonho... Tudo em mim guardo. Guardo os registos dos tantos caminhos sem saída seguidos em busca de sonhos, crendo de forma infantil que "desta vez é que é"... Crendo. Minha crença em tudo e em todos assusta-me. Assusta-me mais sendo um critico nato na divina intervenção ou no destino, na fortuna. Por vezes, naqueles dias mais sombrios, um arrependimento demoníaco atesta meu sentir. Ódio pontual. Revela-se na minha alma um interregno de insatisfação separatista de mim mesmo e da minha crença na verdadeira verticalidade do ser. No entanto na minha fraqueza insisto em persistir. Resigno-me apenas quando atingir o infinito que se esconde por tras da nuvem que não vejo, que reconheço distantemente inatingível para mim. Volto a pensar. Volto a acreditar.. Volto a inutilmente sonhar com vaga ilusão de na minha sombra encontrar a felicidade que se aparta de mim.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pôr-do-Sol



Vejo a celeste luz do astro rei a escoar-se do firmamento numa lentidão assustadoramente veloz... Sinto o ultimo grito do por do sol que se assemelha a um lamento estridente de desesperada promessa de reencontro. Ouço o seu chamamento a perder-se no horizonte que me parece visivelmente próximo. Renascida em mim esta a soturna vontade de me embalar na lua. Sorver a sua luz com toda a energia que em ainda em mim insiste em existir. Minha companheira está em crescente força. Fiel depositária de tantas confissões em noites que mal dormidas tão sentidas foram em lúgubre sentir. A teu lado tanto te disse. Tantos conselhos no teu silêncio me respondeste. Com tantos ensinamentos no teu brilho intemporal me banhaste. Beneficiado sou nas minhas abluções no teu ser. Rasgado é meu pensamento por ti, sem que levante qualquer impedimento. Imploro-o até que o faças. Que me arrases. Sem as palavras piedosas ou simpaticamente indiferentes de quem nos deseja o nosso falso bem. Imerso na tua sabedoria sinto-me renascer... Renascido de igual sentir entrego-me ao novo dia na esperança de um por do sol sorridente.

reflexão

Fecho o estore completamente. Apago as luzes. Nem uma réstia ínfima de luz, por muito imaculada que seja, permito que invada o meu espaço neste instante. Coloco algo "clássico" em reprodução... Tento inspirar o silêncio que se esconde por trás da musica bem baixa, que no limiar do inaudível marca a sua presença, numa conspiração premeditada. Tento esquecer o pensamento, pensando em tudo que não tenho pensado ultimamente. Medito em todas as ideias que me desafiaram a vontade de escrever que numa apática recusa, evitei esculpir no papel branco que normalmente me acompanha. Se todas materializadas fossem, incontáveis folhas estariam agora jogadas no canto da reflexão. Ou através do Eu Mesmo anonimamente publicadas neste blog. Ou rasgadas por não atingirem através do caminho designado o ponto que lhes ambicionei. Questiono-me quais serão as mais importantes... As que acabam bináriamente expostas ou as que rasgo... quais serão as que mais me dizem... Não posso sentir arrependimento por algo que num determinado instante me pareceu correcto. Destruí por achar que longe iriam, que tomariam como suas as asas do meu pensamento e fariam voar para onde desejava. Depositei nessas palavras a esperança de ir mais além de mim, que com elas conseguiria quebrar ciclos, correntes e pensamentos. Que... Que agora vejo como cobardemente destruí parte de mim.

Lema


Magna est veritas et praevalebit!

Escrever

Ante Scriptum: Quem não conseguir ler o texto digitalizado no papel (bem sei que a minha letra é horrenda) poderá ler o texto seleccionando o espaço vazio por baixo das digitalizações...


Mato as saudades da escrita real. Já tinha perdido o sabor, o encantamento do deslizar subtil do aparo no papel. A entrega desprendida de duas entidades, de dois seres, com as memórias das suas próprias vivências encontram-se no prazer de um bem comum. Vejo o rasto da sua paixão, no negro colorir de cada traço. A sensualidade existente no arranhar, sem ferir, intenso do iridium na brancura cândida do papel que ama. A dança sincronizada ingenuamente erótica da partilha intima. Os suspiros de prazer que emanam pontualmente a cada traço mais vincado que solto é num instante intensamente sentido. O canto inconstante traduzido numa sinfonia à medida que as letras tomam forma. O secar da tinta. A forma como um traço fino se torna mais espesso no impregnar da sentida paixão da união que julgavam perdida. As sombras remanescentes que surgem ao virar a página quais memórias que largamos nos confins do nosso ser para nunca as encontrar-mos. Notas soltas de um nocturno pensamento iluminado pelo sol. As saudades que tenho de escrever são as saudades que tenho de ti.