sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dimensão

A dimensão do meu sujeito narrativo colapsou. Não consigo escrever. Não quero escrever. Não tenho ideias... Não tenho palavras... Apenas um leito ressequido me serve de cicatriz para a memoria do que outrora fora um caudal constante de multiplas emoções onde as palavras ostentavam a sua presença. Respiro. Mas o cansaço que me consome invariavelmente clama vitoria na minha derrota. Alheado ao redor denoto como reduzida esta a minha capacidade sensorial. Não me merece o sentir. Uma lobotomia frontal com ablação do córtex frontal. Estagno num sol que me queima e desespera. Inspiro... Expiro... Numa ciclicidade medieval. Tento domar a exaustão respirando. Invadido sou pelo odor pungente do ambientador que em vez de naturalizar os restantes assume a sua nauseante existência. Não me concentro. Disperso-me... Aglutino minhas ideias diluindo-as na indolente reflexão de mim.

sábado, 24 de abril de 2010

Traços

A frieza inóspita presente na ausente alegria vive de uma indolência lúbregue. Invejo a liberdade inscrita nos traços deixados no céu pelo passar do aviões rumo ao seu destino previsto. Calo no silencio a rima da minha cegueira. Na verdade sou contemporâneo do futuro ja passado em mim próprio. Consigo somente pensar nos sonhos que deixei morrer. Dar-lhes o meu ultimo respeito. Revisita-los no sepulcro para o qual lancei. Deixa-los. Visitar com uma frequência cada vez mais reduzida. Esquecer a sua existência... O odor a alegria da sua presença... Negar ao meu próprio eu umas quantas ideias que comigo viveram nestes últimos 38 anos... Deixar respeitosamente uma vela a zelar pelo seu repouso perdido nos confins da escuridão em mim. Custa-me... Verto lágrimas secas que me humedecem a face perante esta ideia. Quero não querendo... Não quero querendo... Adia-los não é uma solução... Ate quando?... Mais ainda? A lógica mata-me a emoção... A fuga para o silêncio da noite pintada nas luzes distantes e turvas pela adrenalina do conduzir já não me satisfaz. Apenas procuro a paz para os sonhos que não encontro nesta realidade em mim.

Novo dia se inicia
Sem o som
Que na surdez
(da minha imaginação)
Ontem ouvia.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Insónia

Acordei a contemplar os minutos a desaguarem no caudal da insónia. Vejo como os lençóis do meu descanso tecidos são sobre as cinzas incandescentes de um passado. Pretérito prefeito, estruturalmente imperfeito sem forma. Gracejo pela sorte que me assiste que o deambular pesaroso sem destino me conduz a abraçar a provavelmente ultima trovoada que invade os céus cegos pelo clarividente negrume da noite reflectida em mim.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

G.

Preâmbulo

 "Mas confesso que tenho medo que o tempo passe rápido... Passou tão rápido até agora... E começo a ter medo que o tempo continue a passar assim, sem me aperceber vou-me apercebendo que penso no futuro e me esqueço do agora. O tempo passa e o presente são todos os dias que não existiram porque estou mais focada em um futuro que pode nem acontecer."

Raramente a tela do meu pensamento é salpicada por cores que invejo ter sonhado mas que na minha leveza de opaca densidade me são proibidas imaginar. Resta-me beber a vida em goles modestos, adocicados pela promessa humilde de uma chuvada tépida que pontualmente pode iluminar o dia. Nem tudo o que leio reconheço mestria. Invariavelmente sinto o sabor de uma reflexão lógica embrulhada em métrica e temperada de uma rima rima forcada... Ímpia. Mas nas raras vezes que me tocam as palavras... Vejo os contornos a letras d'alma onde o mistério do orvalho da manhã condensa todas as emoções contidas de uma noite perdida em confissões trocadas com a lua. Fazem recuar o tempo... Crer... Querer... Ser... Ter... Não são as palavras dos outros que me fazem escrever... Mas nelas vejo a esperança que julgo erradicada no dicionário com que  vou folheando a vivência do sentir em mim.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Questão?

Não posso questionar o que considero inquestionável, mas tudo questiono em mim.

Duo

Nado contra a corrente que me consome as forcas que me restam. No desgaste impiedoso que me invade desvio a face do inevitável... Sou arrastado na correnteza, onde sem vitalidade continuo a esboçar a resiliência que sei já não habitar meu peito. Reajo por instinto. Tento em inspirações profundas reter alguma energia. Reciclo emoções em mim já vividas.... Trituro-as numa moagem de granularidade bem fina na mo do meu sentir... Revivo nesse instante o pano de fundo negro de um pensamento presente que se quer ausente. Calo, brandindo os segredos de uma vida por mim não vivida. Passadas perdidas entre os claustros de um querer que assombra com seu rigor meu espírito em cada ecoo que me fere o silencio. Maldito... Cada dia compreendo  por tantas serem as ideias menos o que escrevo. Ou penso. Não sei o que pensar mas não consigo parar de o fazer por tantas serem as ideias que violam meu espaço, numa perseguição alucinante pelos terrenos inóspitos do meu ser. Por vezes creio em sonhos não vividos. Questiono quem serei... O mais grave quantos serei. Nem sempre sobre o mesmo escrevo. Nem sempre as palavras que de mim são vertidas tem o mesmo sabor. Nem sempre são iluminadas pela mesma luz.... Nada... Este nada ser de tantos que tanto me ocupa esventra-me com piedosa indiferença. Quem serei quando escrevo. Serei sempre o mesmo? Mudo? Alterno entre a mascara e o Eu Mesmo?  Sou todos... Pois todos são parte de mim.

sábado, 17 de abril de 2010

Derrota

Não escuto o silêncio pois acordei nos restos do ruído despertado na incondicional vontade que me escapa. Observo o amanhecer tardio de um amanha já tido como passado, procurando dias sem nome que a partida sei não existirem. Assumo a fuga a uma realidade desinteressante na certeza da incompreensão descontextualizada. Rasgo a fina membrana que me separa da aquosa sinceridade que ambiciono. Escondo-me por trás do espelho estilhaçado da minha inverosímil presença. Desapareço. Renasço morto nas cinzas do ontem presente, numa comédia de humor duvidoso... Cerro os olhos... Desmultiplico a multiplexagem da vida que em mim carrego. Inspiro o sol da manha trazendo a paz da escuridão a luz agressiva. Bebo o ar ainda frio com uma sofreguidão renovada. Acordei. A realidade triunfou sobre os sonhos em mim.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Curto

A chuva regressou com a força incontida de um novo poema. Aprisionada no meu imaginário sombrio foi ganhando a coragem que lhe faltava, acumulando o saber que julgava já não ter. Assume agora a sua indignação na rima quebrada no soar que cada pingo do seu ser faz ao travar sua queda num beijo. Derradeira prova do saber que falta em mim.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Feitiços

Acordei com o pensamento. Amanheci a desejar que as memorias fossem meros feitiços que somente surgiam se fossem evocada a sua presença. Em toda a extensão do meu pensamento ficariam guardadas algures onde não surgissem.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Fim (de dia)

Somatório de tantos acontecimentos diários que contribuem para um sentimento de mim medíocre. Promiscuo sou, misturando num sopro de terror a sacralidade do meus pensamento com a lógica. Carrego meu próprio féretro ao longo do cortejo funerário em que se vêm tornando as minhas horas ao som de um requiem tocado dois níveis de ritmo abaixo. Estático numa luta entre a preserverança do meu olhar e a digital marcação que me controla, sinto a paciência a resvalar para o precipício da passividade oculta em mim.

Funcional

Desprezo a complacência lívida da cegueira pragmática auto-imposta. Odeio-a. Assumo a frontalidade da opinião elevando-a ao confronto sem tréguas. Quezilento... Orgulhoso... Belicoso.... Compreensivo apenas na verdade que vejo (d)escrita no rosto de cada um. Mas... Mas também sou cego. Sofro de cegueira pueril. Em tantas coisas intransigente, revelo a cobardia funcional do não aceitar o óbvio, recorrendo a todos os artifícios que me permitam eclipsar a verdade no brilho da esperança. Em epifânias momentâneas de consciência vejo bem para la do horizonte da fotografia imaginaria que teimo em colocar diante da visão do meu ser. . Disforme. Disruptivo. Diferente. Distante. Nestes instantes em tudo se revela sórdido, ergo o queixo, fechado de um sorriso que insiste em deixar plantada a sua semente na aridez do meu ser. Numa sindicância sem quartel que vejo? Que caminho sigo? O que impossível, numa fotografia da mente, persisto em seguir? Ou toda a realidade que pontualmente encontro diante de mim.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Oráculo

Tudo e irreparável nos instantes que se sucedem trazendo vivo o aroma do destino na onomatopaica aragem temporal em 360 graus imorais tabelados. Ambiciono tudo o que não consegui viver querendo o que me vem fugindo. Egoísta penso... Resguardando meu querer, entre quatro paredes omissas de porta e de natureza agreste dissuadindo em vão todas as linhas mestras de um oráculo que me desenha nos traços das mãos o destino provável. Profética indefinição traçada sobre um conjunto disperso de pontos finais que em coro cantam o desassossego em mim.

Não

Não quero mais ouvir o pingar metálico das palavras que perturbam a calmaria aparente do meu ser. Quero a poesia de um quadro inacabado... Ou um texto de uma só palavra, que incompleta, tudo diga. Quero o impossível... Na possibilidade que reconheço omissa. Quero o interminável... Terminando o que sei não iniciado... Quero o indefinível.... Definindo o que sei ser finito... Quero a magia de um sonho que não me lembro ter sonhado... Quero ser incompreendido pela compreensão rude da lógica fria... Quero... Quero resguardar minhas palavras da tortura barbara de ideias estereotipadas do pensamento imediato. Ouvir o a tinta pacificadora embalar o papel num abraço de intimidade fugaz.... Escrever mil imagens sem nexo e nelas somente encontrar a ordem no que não vou ver... Ver o por do sol do solstício distante reflectido numa gota de orvalho que teima vingar sua presença contrariando a lógica natural do seu ser tatuada em mim... Ler meus pensamentos nas linhas que não vejo traçadas pelo destino em mim.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Generalizo

Generalizo. Tomo como verdades algo que carece em mim de confirmação. Purga. Fuga infinita terminada à partida. Irrequieto vivo. Sobrevivo no presente entre imagens do passado contidas em dois álbuns de natureza diferente. O que vivi e o que gostaria de ter vivido. Condenso em ambos a ambição desmedida contida numa metafórica bolha de ar pelo vidro cercada. Mera imperfeição ou verdadeiramente única constatação de ambição. Confronto ambos na realidade imprópria de uma ilusão real que me consome na realidade ilusória em que vivo. Não escrevo. Escrevo. Elevo-me na batalha entre o conforto e a escrita onde todas as palavras são demasiado impessoais e bombardeiam com seu significante à verdade oposta do meu significado. Cedo ao vício. Inevitável como o despertar que assume no novo dia a trivial omissão do sorriso em mim.

Descanso

Todos os pensamentos fogem da lógica fluindo na métrica de um racionalismo descontextualizado propicio do perder. Sem conseguir fazer uso da vicariância sensorial inerente a perda de um sentido, entrego os espólios do dia já perdido ao altar do comesarismo. Baixo os braços. Derrota... Rendição sem glória ao desfasamento previsto à muito pelo deslizar frio das peças do ábaco da vida. Não me posso queixar. Diem perdidi... A eles estou habituado. A eles tanto da minha vivência tenho entregue sem queixume ou magoa. Mas queria... Queria quebrar a monotonia que distante me encobre do encantamento diário do por do sol. Prolífico desgaste que me verga a vontade à obediência cega de um descanso real que não tenho. Imaculado em mim o cansaço triunfa nos louros que lhe estão consagrados no pecado da apatia resignada. Hoje não busco saber. Não busco pensamentos. Hoje somente quero edificar os alicerces da palavra descanso em mim.

domingo, 11 de abril de 2010

Máscara II

A máscara torna-se meu sustento. Minha escapatória a irreal mediocridade que me circunda. O flutuador que me permite permanecer a tona de um todo que me tenta engolir nas aguas turvas da sua inconsciencia. Protecção primaria contra a arrasadora fúria do tribalismo primário da matilha que ao alpha deve obediência cega. A Máscara vive em mim!


Principais funções de uma máscara:
disfarce; símbolo de identificação; esconder a sua identidade; transfiguração; representação de espíritos da natureza, deuses, antepassados, seres sobrenaturais ou rosto de animais; participação em rituais (muitas vezes presente, porém sem utilização prática); interacção com dança ou movimento; fundamental nas religiões animalistas; mero adereço

sábado, 10 de abril de 2010

Queimo

Preâmbulo: Infernus Sanctis

A luminosidade intensa dos dias vem marcada pelo ardor das tatuagens invisíveis marcadas em meu espírito aguçam a vontade em esfregar ate à eternidade do esquecimento sua presença. Texturas em alto relevo testemunhas de tantas outras situações que se memorizam o tormento. Nada contenho, tudo retendo, no meu polimorfismo amorfo. Medíocre a conquista tornada realidade pelo caminho mais fácil. Entre o demónio e o anjo que coabitam meu ser opto pela nortada disruptiva do equilíbrio. Rasgo a proclamação de paz entre ambos assinado. Entre os dois sobressai meu outro eu. Queimo hoje as asas do pensamento pois não me apetece voar acima do inferno quem sinto existir em mim.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Negação

Vivo à luz da escravidão do pensamento. Imerso num despotismo que consome os dias sem tréguas agrilhoado a segundos incessantes. Confio-me à sua tortura sem rever as consequências do meu acto ímpio de ousar sentir... Pensar na Negação de meu pensamento como eclipsada esperança vã, atira-me para as profundezas de mim.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Latência

A reflexão perene de uma insónia imposta eleva-me à eternidade breve das palavras que me assaltam numa reflexologia pavloviana. Salivo metafóricamente nos contornos tomados pelos pensamentos, numa sofreguidão convergente a tudo o que em mim vejo divergente. A privação do descanso que me invade faz sobrar em mim tempo. Revejo o contratempo de cada momento que não quero repetir, repetindo-o lentamente incontáveis vezes nas asas do silêncio que sobrevoa a minha realidade. O silêncio... O silêncio silencia minha irritabilidade consciente de tudo o que inconscientemente optei. A latência que me consome entrega meu ser a um despertar ruinoso de vontade efémera. guardo mudo a saudade que nutro pelo anoitecer em mim.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Prevista

Fim de tarde pleno de um vazio que me toma as palavras de pesarosa leveza.  Incondicional rancor de uma trovada que sinto faltar para compor o cenário que procuro para animar meu ser. Quero matar as saudades que sinto no vibrar áspero do troar de cada trovão mas na minha insatisfação delimito a vontade numa mancha inglória de tinta em alguns traços sem rosto. Expresso d'alma que me falha à hora por mim não combinada. Ahh... Como partida de mim, sem gloria, sinto a imaginação. Infalível falência que prevista estava nos imprevistos que me foram cercando ao longo do dia.

Clivagem

Gosto do amanhecer na consciência convicta da contradição de rigor vestida à memoria recente. Nem tudo são sombras.  Gosto das cores e contrastes que são exalados das formas sob a luminosidade do sol. Somente separo as situações... Os momentos... Nem sempre me alimento da penumbra convicta e póstuma de um acaso do ocaso. A escuridão ilumina-me o pensamento sem duvida. Mas... Mas por vezes a luz sinto-a em minha como bafejada de uma sacralidade solene da redenção que se aparta freneticamente do meu caminho. Timbro o papel com algo que me inunda, resumindo-a na clivagem tingida pela memoria do já esboçado numa nuvem distante.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Cavernoso

No fundo longínquo da caverna obscura onde resguardo meus pensamentos sinto a subsidência tardia à tanto anunciada. Nova Sonata componho, em palavras mentalmente organizadas, dispersa numa Operetta constituída por um único acto que se resume pensar. Ecos que vivem per si num imaginário demasiado ilusório para assumarem-se à janela da realidade onde vou transitando na misericórdia de um amanhecer diário. Nada é real na luz que raia ao fim da noite. Tudo surge tocado pela sombra negra da inverdade luminosa. Inverossímil... Moldado pela vontade da fuga as trevas onde a verdade mas pura se encontra o mundo desperta para a sua necessidade de falsas verdades, que ímpias corrompem meu olhar. A cegueira crava as suas garras sobre o descontentamento, apoderando-se do desejo de felicidade, maquilhando-o com as suas cores corrompidas. Eu...  Aguardo... Eu aguardo pelo nocturno silencio que tudo invade de redenção para poder sentir plenamente as notas que hoje decidiram soar em mim.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Amanhecer

O amanhecer de um frio sol vestido quebra a insolvência do meu pensamento que inerte existiu durante três longos dias. Gostava de estar a caminho da minha praia e não preso nesta obrigação. Adorava olhar o renascer do sol sentado sobre a areia ainda húmida da intimidade pura que estabelece com a noite. Queria... Queria embalar o meu ser, deitar-me sobre os meus sonhos esquecendo-me que estou acordado.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Escrita

Gosto de acreditar que ao invés de escrever pinto palavras. Desenho algo que sinto em mim não tendo capacidade para o fazer. Agrada-me... Agrada-me a ideia de em vez de escrever, pintar. Dar forma e tons a uma emoção que por mim tenha passado... Ou ficado eternamente cravada em meu peito. Não sei... se pintasse escreveria? Se conseguisse tracejar algo de mim numa tela virgem desejosa da minha verdade será que estas letras que agora escrevo alguma vez seriam escritas? Ou pintadas? Teria dúvidas? Será que ao pintar não ambicionaria escrever? A complexidade pragmática adensa-se... Também gostava de saber tocar... Gostava de conseguir tocar piano ou violino ou saxofone... Ou todos... Que caminhos seguiria? Como pintor... Pintaria? Ou desenharia apenas? Usava cores? Que cores? Todas? Ou limitar-me-ia a desenhar a carvão, prescindindo em absoluto de qualquer outra cor que o minimalismo negro das multiplas gradações de cinzento enegrecidas? Se tocasse.... Se tocasse piano que tocaria? As musicas dos outros? Compunha a minha própria música? A que soaria? Que nomes lhes daria? De que ritmos as iluminava? Seriam alegres? Tristes? Sombrias? Apocalípticas? Triunfais? Cada questão levanta outras num encadeamento sem originar fronteiras definidas na indefinição que pretendo terminar... Mas... Ao fazer algo diferente do escrever não ambicionaria meu ser isso mesmo? O escrever completa-me... Acalma o meu ser numa clarividência ansiosa... Preenche-me com tudo o que procuro. Busco o que sei não conseguir atingir. Começo a acreditar que esse e o Sol que aquece a insatisfação constante que afunda nos oceanos da tortura o meu espírito inquieto. A escrita é o porto onde busco o abrigo salvador... Mas tantas outras vezes a tempestade, que arrasadora me mostra o caminho rude da redenção. A escrita...  Tudo me surge como um reflexo de mim.