Escrita
Gosto de acreditar que ao invés de escrever pinto palavras. Desenho algo que sinto em mim não tendo capacidade para o fazer. Agrada-me... Agrada-me a ideia de em vez de escrever, pintar. Dar forma e tons a uma emoção que por mim tenha passado... Ou ficado eternamente cravada em meu peito. Não sei... se pintasse escreveria? Se conseguisse tracejar algo de mim numa tela virgem desejosa da minha verdade será que estas letras que agora escrevo alguma vez seriam escritas? Ou pintadas? Teria dúvidas? Será que ao pintar não ambicionaria escrever? A complexidade pragmática adensa-se... Também gostava de saber tocar... Gostava de conseguir tocar piano ou violino ou saxofone... Ou todos... Que caminhos seguiria? Como pintor... Pintaria? Ou desenharia apenas? Usava cores? Que cores? Todas? Ou limitar-me-ia a desenhar a carvão, prescindindo em absoluto de qualquer outra cor que o minimalismo negro das multiplas gradações de cinzento enegrecidas? Se tocasse.... Se tocasse piano que tocaria? As musicas dos outros? Compunha a minha própria música? A que soaria? Que nomes lhes daria? De que ritmos as iluminava? Seriam alegres? Tristes? Sombrias? Apocalípticas? Triunfais? Cada questão levanta outras num encadeamento sem originar fronteiras definidas na indefinição que pretendo terminar... Mas... Ao fazer algo diferente do escrever não ambicionaria meu ser isso mesmo? O escrever completa-me... Acalma o meu ser numa clarividência ansiosa... Preenche-me com tudo o que procuro. Busco o que sei não conseguir atingir. Começo a acreditar que esse e o Sol que aquece a insatisfação constante que afunda nos oceanos da tortura o meu espírito inquieto. A escrita é o porto onde busco o abrigo salvador... Mas tantas outras vezes a tempestade, que arrasadora me mostra o caminho rude da redenção. A escrita... Tudo me surge como um reflexo de mim.


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