Paragem
Agora que neste instante paro de trabalhar o vazio apodera-se do meu ser deixando um contorno oco que me impede de desaparecer completamente. Sou iluminado por uma escuridão interior que tudo faz desvanecer transformando minhas ideias. Trabalhei onze horas e meia efectivas praticamente sem paragens... Mesmo a pausa salobra de um cigarro é consumida em trabalho.... Para quê? A dificuldade com que escrevo assusta-me. Onde outrora sentia uma identidade fluida com a escrita agora contemplo-me saltando entre lapsos de memoria. Paragens... Como se vivesse meramente entre intervalos de anestesia total onde não sei o que acontece. Inalo mas não respiro. Ouço mas não escuto... Falo mas nada digo... Olho mas não vejo... Nem um eléctrico de que me aproximei perigosamente. Não me sinto... Apenas o frio que se começa a sentir parece despertar tenuemente o desconforto alertando meu espírito para a realidade que me envolve. O despertar não surge imaculado... As pontas dos dedos gelam num torpor que me dificulta os movimentos. Estou moído. Como se um grão de café ralado em pó fino e lançado ao vento... Não tenho ideias... Não tenho nada mais no pensamento que uma questão... Que restará de mim?


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