Arte
Não sou artista. Reconheço que me falta a perspectiva e o sentido estético. Ausente de mim está a capacidade suprema de conseguir superar a vulgaridade. A nobreza da arte em mim nunca fez sentir sua sombra luminosa. Mas hoje o escopro com que me tento esculpir em cada palavra esta totalmente cego. Esta ferramenta que mais utilizo para entalhar as formas disformes que descrevo encontra-se romba. Tento afia-la vezes incontáveis no esmerilador da minha critica feroz sem sucesso. A pedra ambicionado o ferimento revelador jaz quieta na frieza do fogo rubro da ânsia que a consome incessantemente. O ardor que dilacera meu corpo eleva-me a vontade a uma quietude mansa que ambiciona não ser perturbada. Bem faço incidir a punção no jugo umbroso do martelo consciente de tudo o que penso e sonho. Mas a minha férrea vontade resvala na grosseira pedra que de mim tenho para esculpir. Gosto... Gostava... Gostava de ser vento e esculpir-me naturalmente a mim próprio com a ajuda de uma pontual agua que surgisse. Transitar livre pelas formas ilusórias que busco em mim mudando-me a cada nortada... Sem pressas... Vento de mim que nao toma forma nem ganha consistência. Aprisionado como eu... A todos os sonhos que quero ver jamais perdidos em mim.


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