terça-feira, 16 de março de 2010

Consciência

Consumo o frio matinal que me é imposto a contrariado. Este manto gélido que tudo envolve desperta-me para a realidade que não deixo de pensar em tudo o que não me quero lembrar. Gostava de me conseguir olvidar de tudo o que não quero que assombre o meu espírito. Ter uma espécie de mecanismo filtrador directamente dependente do meu estado emocional. Realizar constantemente triagem selectiva de ideias, evitando as que não queria. Neste momento penso invadido pela raiva. Sinto-me parasitado, como um mero hospedeiro de uma espécie parasitaria que me sorve as ideias e apodera-se do trabalho por mim realizado. Tento engolir o meu orgulho em garfadas bem guarnecidas, deglutindo sem praticamente o mastigar conseguindo dessa forma contornar o travo intenso a azedo que me inunda a boca de mil sensações de ira. Não quero pensar. Não quero consciencializar a natureza cobarde de tudo o que sobeja em mim. Da falta que me faz explodir. Ontem... Ontem estive perto de rebentar. Consegui conter-me recorrendo a todas as forças. Mordendo a língua para evitar os comentário hostis que me preenchiam a cada palavra que ouvia. Nestas alturas gostava de ser inconsciente. Mas hoje a consciência acorda a raiva apunhalando de morte a alegria que vive em mim.