quinta-feira, 11 de março de 2010

Inverno

O inverno tarda em ceder o ceptro a si confiado num solstício já passado afirmando a sua convicção inundando o dia presente num sopro gélido. Agreste vontade sua que tudo banha de uma morbidez tremula. Descrente no conceito de mérito renova forças em cada rajada com que faz impor o seu querer numa cegueira indiferente aos meus desejos de comum mortal. Não guardo saudades do frio... Detesto a sua presença. Sinto no entanto um carinho especial pela chuva e a forma como guarda em si memorias ocultas... A sensação que me invade na caricia dada de forma desinteressada... O olor puro da verdade que a terra ressequida encerra que reinventado é após uma chuvada... Libertando os reflexos do seu (meu?) viver após a purificação dado num baptismo que se abate sobre a secura ímpia. A sensação de peso sobre os meus ombros quando o céu denso se encontra próximo da vertigem da bênção, contendo os seus pregoes ate ao ultimo instante, para em êxtase os precipitar... O caminhar a chuva... Ouvir o som abafado da chuva a tocar a areia... Tanto... Tanta é a inspiração que a chuva expira em mim...