Divago
O frio faz discursos improváveis ensurdecido pelos ecos das passadas sem vida de caminhos já feitos. Ouve-se o vento cantar em uníssono, expressando tantas estórias já com historia. Esgrimam ambos sem parar tudo o que lhes confiado está a ser esquecido na ubiquidade perene da limitação espaço temporal. Linha mediana que tudo separa. Equador irreal onde vivo... Algures entre um norte e um sul indefinidos num mapa mal cartografado. Erro meu... Fraca é a arte do desenho que de mim foge nas entrelinhas de uma folha virtual branca não pautada. Talvez seja esse o erro... Procuro escrever sem orientação... Sem sol... Sem tempo... Sem norte... Agito a poeira das memorias ou emoções na movimentação constante dos meus dedos em teclas... Sinto profundamente em mim cada pessoa que exerço sobre cada tecla... Uma forma diferente de acupunctura. Em cada letra encontro uma agulha de comprimento e calibre diferente... Não as escolho... Cegamente vou cravando-as em mim... Por vezes lentamente com brandura e calma... Outras com violência e raiva. Mas... Mas todas as sinto. Todas em mim deixam a sua marca indelével. Indesmentível o quanto as palavras me afectam. O quanto me fazem viver... Sentir... Existir... Tanto. O gradual ímpeto com o qual fazendo desfilar as emoções. Difícil escrever. O céu não tem essa cor. Nem a lua o brilho ou o sol o calor. Nelas tudo tenho mesmo o que não vou tendo. O nada que nada falta me faz tudo fazendo na sua ausência. Divago... Reconheço. Talvez seja do cansaço... Talvez seja do martelar constante das palavras das pessoas que me impede de escutar o que em mim quero ouvir. Talvez seja o dia que tarda em ser noite.


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