Divagar
Deixo divagar livremente as palavras. Prendo-me no desejo de não discernir um objectivo escrevendo pelo simples acto da escrita em si. Plena. Presente. Presente tenho que não escrevo. Não sei escrever. Não posso considerar o que faço como escrita. As palavras têm vida... Alma... Leio nas palavras dos outros a "anima" que falta às minhas. Um sabor ocre de uma vitimização premeditada, como uma carta anónima sem remetente nem destinatário esquecida numa das múltiplas gavetas do viver... Triste plagio de um ensaio sobre uma cegueira própria auto infligida. Magia... Magia leio no que não sendo "bem escrito" tem a rima da lua cheia numa noite de verão. Nessas simples palavras, muitas vezes abreviadas vejo o que verdadeiramente merece a pena... O sentido do viver proclamado. Leio sorrisos de criança em lágrimas maternais feitos. A abnegação. A elevação máxima do ser. A "Matria"... O sentido de tudo dar num olhar nada mais tendo para oferecer. O receber de um sorriso envolto num abraço carregado de inocência infantil. O não escrever sobre isso pois as maiores emoções não se descrevem ou decompõem em meras letras formando palavras. Sentem-se. São Tatoadas no nosso coração... Gravadas no nosso ser... Memorizamos sem nunca as esquecer pois impossível se torna quando essa vida é o motivo da nossa. Nada... Sobre nada escrevo. Epifania... Fatal... Tudo me falta... Falta em mim o ser que existe vendado por não saber o que realmente é viver.


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